pH do cabelo: quando ele realmente importa — e como usar a acidificação com critério
- Luh Ribeiro- Jornalista

- há 5 dias
- 3 min de leitura

O pH do cabelo é um daqueles temas que ganharam fama rápida — e profundidade rasa. Muito se fala sobre “fechar cutículas”, “acidificar sempre”, “equilibrar o pH”, mas pouco se explica quando isso é necessário, quando é exagero e quando pode até atrapalhar.
Na Sphaira, o pH não é tratado como ritual obrigatório, mas como ferramenta pontual de leitura e ajuste do fio.
Antes de acidificar, vale entender o que está acontecendo de fato com o cabelo.
O que é pH — e por que ele interfere no fio
pH é a sigla para potencial de hidrogênio, uma escala que vai de 0 a 14 e indica o grau de acidez ou alcalinidade de uma substância:
0 a 6,9 → ácido
7 → neutro
7,1 a 14 → alcalino
O cabelo saudável tende naturalmente a um pH levemente ácido, geralmente entre 4,5 e 5,5. Esse ambiente favorece:
cutículas mais alinhadas,
menor perda de água,
mais brilho,
menos atrito entre os fios.
Quando o pH se desloca para o lado alcalino, as cutículas se elevam — e o fio fica mais vulnerável.
Esse desequilíbrio não acontece isoladamente: ele costuma caminhar junto da perda de água, lipídios e estrutura — o mesmo equilíbrio entre hidratação, nutrição e reconstrução que sustenta a saúde do fio ao longo do tempo.
Quando a cutícula permanece aberta e o cabelo não consegue reter hidratação.
O que acontece quando o pH do cabelo se altera
A elevação do pH não é, por si só, um erro. Ela acontece intencionalmente em muitos processos:
colorações e descolorações,
alisamentos e relaxamentos,
shampoos de limpeza profunda,
exposição repetida a agentes agressivos.
O problema não é abrir a cutícula. O problema é mantê-la aberta por tempo demais, sem reorganização posterior.
Quando isso acontece, o fio passa a apresentar:
porosidade acentuada,
aspereza ao toque,
dificuldade em reter hidratação,
opacidade e frizz persistente.
É nesse cenário que o pH começa a importar de verdade.
Acidificação: o que ela faz — e o que ela não faz
A acidificação capilar não “cura” o cabelo. Ela ajuda a reorganizar temporariamente a superfície do fio, favorecendo:
alinhamento das cutículas,
melhor retenção de água e lipídios,
sensação de maciez e brilho.
Ela não reconstrói a fibra, não substitui tratamento proteico, e não deve ser usada como rotina fixa.
Acidificar sem necessidade pode deixar o fio:
rígido,
sem movimento,
com aspecto pesado ou artificialmente “selado”.
Quando a acidificação faz sentido
A acidificação é mais útil quando o cabelo:
passou recentemente por química,
está visivelmente poroso,
perde hidratação com facilidade,
apresenta aspereza mesmo após tratamento,
responde mal a máscaras (produto “escorre”, não fixa).
Nesses casos, ela funciona como ajuste de terreno, não como tratamento principal.
Quando ela é desnecessária — ou excessiva
Se o cabelo:
já está macio,
tem brilho natural,
responde bem à hidratação,
não apresenta porosidade evidente,
acidificar por hábito não traz ganho real — apenas repete um gesto técnico sem leitura.
Cabelo saudável não precisa ser constantemente corrigido.
Acidificação caseira: tradição com critério
O uso de vinagre de maçã é antigo e não deve ser tratado com desprezo. Ele possui pH naturalmente ácido (em torno de 4,5) e pode, sim, ajudar pontualmente.
Mas alguns cuidados são essenciais:
diluição adequada (nunca puro),
uso esporádico, não contínuo,
aplicação após shampoo, não antes,
atenção à resposta do fio, não à promessa.
Acidificação caseira não é substituto de tratamento nem deve virar manutenção semanal automática.
O que realmente mantém o pH equilibrado no dia a dia
Mais importante do que acidificar é não desorganizar o fio o tempo todo.
Isso inclui:
evitar limpeza agressiva constante,
respeitar pausas entre químicas,
equilibrar hidratação, nutrição e reconstrução,
reduzir atrito mecânico excessivo,
entender que nem todo cabelo precisa do mesmo ajuste.
pH equilibrado é consequência de cuidado coerente — não de correção repetitiva.
Em síntese
O pH do cabelo importa, mas não o tempo todo. A acidificação ajuda, mas não resolve tudo. E o fio saudável não nasce da repetição de protocolos, e sim da leitura atenta do que ele pede — e do que ele já não precisa.
Cuidado consciente não corrige por medo. Ajusta por compreensão.
Leituras relacionadas







