Pontas duplas: por que surgem, por que não se reparam — e como evitar que avancem
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 12 de jan.
- 3 min de leitura

As pontas do cabelo concentram a parte mais antiga e mais exposta do fio. Sol, atrito, lavagens, calor, processos químicos e o próprio tempo atuam ali de forma cumulativa. Quando essa região perde água, lipídios e resistência estrutural, o resultado aparece de forma visível: pontas duplas.
A pergunta que surge diante delas costuma ser direta: dá para tratar?
A resposta honesta é menos animadora — e justamente por isso mais libertadora.
Pontas duplas não se consertam definitivamente. Elas podem ser amenizadas, disfarçadas ou estabilizadas por um tempo, mas não revertidas sem corte.
Entender isso muda completamente a forma de cuidar do cabelo.
O que são, de fato, as pontas duplas
Pontas duplas surgem quando a fibra capilar, já fragilizada, se divide ou se fratura longitudinalmente. Isso acontece porque as camadas externas do fio deixam de proteger adequadamente sua estrutura interna.
Na prática, o fio perde água, perde lipídios e perde coesão estrutural — tornando-se mais rígido, mais áspero e mais suscetível à quebra.
O impacto não é apenas visual. Pontas duplas aumentam frizz, comprometem o brilho e, em alguns casos, podem evoluir ao longo do comprimento, ampliando o dano.
Porque produtos “reparadores” não resolvem o problema
Condicionadores, leave-ins, séruns e silicones conseguem melhorar temporariamente o aspecto das pontas porque alinham a cutícula, reduzem atrito e criam uma película superficial.
Esse efeito, porém, é passageiro. Após lavagens, escovação ou exposição ambiental, a abertura reaparece.
Isso não torna esses produtos inúteis — apenas coloca seu papel no lugar correto. Eles não reconstroem a fibra rompida. A única forma de eliminar completamente uma ponta dupla existente continua sendo removê-la fisicamente, por meio do corte.
Por que as pontas duplas aparecem com tanta frequência
O surgimento de pontas duplas raramente tem uma causa única. Ele é resultado de desgaste acumulado, intensificado por fatores como calor excessivo, exposição solar prolongada, processos químicos repetidos, lavagens agressivas, atrito mecânico, falta de reposição de água e lipídios e intervalos longos entre cortes.
Aspectos de saúde e nutrição também influenciam a resistência do fio, tornando-o mais ou menos vulnerável ao desgaste cotidiano.
Cortar é necessário — mas não é tudo
Aparar as pontas remove o dano visível, mas não impede que novas pontas duplas se formem. Isso acontece porque os fios têm idades e comprimentos diferentes ao longo da cabeça, e o desgaste continua após o corte.
Técnicas como o corte bordado ajudam a eliminar pontas fragilizadas sem reduzir tanto o comprimento, mas sua eficácia depende diretamente da rotina de manutenção posterior. Sem mudança de cuidado, o problema retorna.
Como minimizar o avanço das pontas duplas
(o que realmente ajuda)
Assim como no caso dos danos solares, não existe forma de blindar completamente o cabelo contra pontas duplas. O que existe é redução de impacto e desaceleração do desgaste ao longo do tempo.
Diminuir o atrito cotidiano — causado pela forma como o cabelo é escovado, seco com toalhas, manipulado e pelo contato constante com tecidos — ajuda o fio a preservar melhor sua integridade, sobretudo nas extremidades, onde a fibra já está mais vulnerável.
A manutenção regular de hidratação e nutrição, o uso consciente de agentes de proteção superficial e o controle do calor não eliminam o problema, mas reduzem a velocidade com que pequenas fissuras evoluem. Cortes feitos com regularidade estratégica completam esse cuidado, impedindo que o desgaste avance ao longo do comprimento.
Pontas duplas não são falha de cuidado — são sinal de leitura
Ter pontas duplas não significa que você “não cuida bem do cabelo”. Significa que o fio chegou ao limite do que consegue suportar naquele trecho específico.
O cuidado consciente começa quando a leitora entende:
o que pode ser resolvido
o que só pode ser controlado
e onde insistir deixa de ajudar
Pontas duplas pedem menos promessa e mais critério. Não exigem soluções milagrosas — exigem leitura do fio, manutenção inteligente e respeito aos limites físicos do cabelo.
Quando o cuidado deixa de tentar consertar o fio e passa a preservá-lo, o resultado tende a ser mais estável — e menos frustrante.







