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Cauterização e selagem capilar alisam o cabelo cacheado?

O que o procedimento realmente faz — e onde começa o risco


Cauterização e selagem capilar alisam o cabelo cacheado?

Cauterização e selagem capilar costumam ser vendidas como tratamentos de recuperação: prometem devolver força, brilho e maciez a fios danificados por química, calor ou desgaste cotidiano. Mas, para quem tem cabelo cacheado ou ondulado, uma dúvida aparece quase sempre antes da decisão:

esse tipo de procedimento pode alisar o cabelo?


A resposta curta é: pode — dependendo de como é feito. A resposta honesta exige ir além do marketing.


O que é, de fato, selagem e cauterização capilar


A selagem capilar, em sua forma técnica, é um procedimento de reorganização superficial da fibra, gerando um efeito de plastificação do fio, geralmente baseado em queratina e agentes condicionantes.


A cauterização segue a mesma lógica, com uma etapa adicional de reconstrução antes da selagem.


Em teoria:

  • não são alisamentos químicos

  • não contêm ativos clássicos de relaxamento (como tioglicolato, hidróxidos ou etanolamina)

  • não deveriam alterar permanentemente a forma do fio


Até aqui, o discurso é correto.


O problema não está na fórmula isoladamente. Está no modo de execução.


Onde começa a confusão: queratina, calor e forma do fio


A queratina é uma proteína estrutural do cabelo. Quando usada em excesso — ou combinada com calor inadequado — ela endurece a fibra.


O procedimento de selagem quase sempre envolve:

  • shampoo de limpeza mais intensa

  • aplicação de queratina

  • uso de secador e prancha para “selar” o produto


É nesse ponto que o risco aparece.


O que a ciência mostra sobre calor e cabelo


Estudos em tricologia e ciência dos materiais capilares indicam que:

  • acima de ~176 °C, fios fragilizados começam a perder queratina

  • em torno de 223 °C, ocorre desnaturação proteica

  • acima de 250 °C, o dano é considerado irreversível para qualquer tipo de cabelo


Desnaturar proteína significa alterar sua estrutura — e isso inclui a forma natural do fio.


👉 Em outras palavras: não é a selagem que alisa. É o calor excessivo aplicado durante o processo.


Então, selagem pode alisar cabelo cacheado?


Sim, pode. Mas não por química direta — e sim por alteração térmica da fibra.


Quando a prancha é usada:

  • em temperatura elevada

  • repetidas vezes

  • sobre fios já fragilizados ou quimicamente tratados

os cachos podem perder definição, relaxar ou não retornar totalmente após as lavagens.


Isso não é “alisamento progressivo” — é desorganização estrutural do fio.


Selagem quebra o cabelo?


Pode quebrar, se:

  • houver excesso de queratina

  • o fio já estiver rígido ou elástico

  • o calor for mal controlado


A queratina em excesso não fortalece indefinidamente. Ela pode tornar o fio duro, pouco flexível — e, portanto, mais propenso à quebra.


Dá para fazer selagem ou cauterização em casa?


Dá — mas exige critério.


O risco doméstico não está na aplicação da queratina em si, mas em:

  • desconhecimento de temperatura real da prancha

  • repetição excessiva de calor

  • leitura equivocada do estado do fio


Sem controle térmico, o que deveria ser tratamento vira desgaste.


Para quem a selagem realmente faz sentido


A selagem pode ser útil quando o cabelo:

  • está poroso, áspero ao toque

  • perdeu brilho após química

  • apresenta cutículas muito abertas


Ela não substitui hidratação profunda.

Ela não corrige dano estrutural severo.

Ela não é indicada para fios com corte químico ativo.


O que fazer depois de uma selagem


Se a selagem foi bem executada:

  • o fio precisa de manutenção inteligente

  • não de repetição constante do procedimento


Isso inclui:


Selagem não é rotina. É intervenção pontual.


Em síntese — o ponto Sphaira


Cauterização e selagem não são vilãs, mas também não são neutras. Elas não alisam por fórmula, mas podem, sim, alterar a forma do cabelo quando o calor ultrapassa limites fisiológicos da fibra.


O cuidado consciente começa quando a leitora entende:

  • o que o procedimento faz

  • onde está o risco real

  • quando vale — e quando não


Não é sobre demonizar técnicas. É sobre tirar o véu técnico que o mercado prefere manter opaco.

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