Ciclo do fio: anágena, catágena e telógena — o que realmente importa
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 8 de jan.
- 3 min de leitura
Quando falamos em queda ou crescimento capilar, quase sempre o debate se concentra em produtos, ativos ou receitas. Mas antes de qualquer tratamento, existe um ponto fundamental que precisa ser compreendido: o cabelo cresce em ciclos — e não de forma contínua.
Entender o ciclo do fio é essencial para interpretar corretamente a queda, evitar alarmismos desnecessários e escolher estratégias mais coerentes para o cuidado do couro cabeludo.
O cabelo não cai “do nada”
Cada fio de cabelo passa, ao longo da sua vida, por três fases principais:
fase de crescimento
fase de transição
fase de queda e renovação
Esse processo é natural, contínuo e ocorre de forma desfasada — ou seja, nem todos os fios estão na mesma fase ao mesmo tempo. É justamente isso que impede que a queda seja visivelmente uniforme.
As três fases do ciclo capilar

Fase anágena — crescimento ativo
A fase anágena é o período em que o fio está efetivamente crescendo.
Dura, em média, de 2 a 6 anos
Cerca de 85–90% dos fios do couro cabeludo saudável estão nessa fase
O folículo está metabolicamente ativo
Há intensa divisão celular na matriz do fio
👉 O que realmente importa aqui:
Quanto mais longa e estável a fase anágena, maior tende a ser o comprimento e a densidade do cabelo ao longo do tempo.
Grande parte das estratégias de suporte capilar — naturais ou não — atua indiretamente, buscando prolongar ou proteger essa fase, e não “criar fios novos do nada”.
Fase catágena — transição silenciosa
A catágena é uma fase curta e pouco perceptível.
Dura cerca de 2 a 3 semanas
O crescimento do fio é interrompido
O folículo começa a se retrair
A atividade celular diminui
Apenas 1 a 2% dos fios estão nessa fase ao mesmo tempo.
👉 O que realmente importa aqui:
Essa fase é fisiológica e inevitável. Não é um sinal de problema — é apenas a transição natural entre crescimento e repouso.
Fase telógena — repouso e queda
Na fase telógena, o fio já não cresce mais.
Dura em média 2 a 3 meses
O fio permanece “preso”, mas sem atividade
Ao final dessa fase, ocorre a queda natural
Cerca de 10–15% dos fios estão em telógeno em condições normais.
👉 O que realmente importa aqui:
A queda telógena não é, por si só, patológica. O problema surge quando muitos fios entram em telógeno ao mesmo tempo, o que pode gerar a sensação de queda intensa.
Quando o ciclo sai do equilíbrio
Diversos fatores podem alterar a distribuição normal das fases do ciclo capilar, como:
estresse físico ou emocional
inflamação do couro cabeludo
alterações hormonais
deficiências nutricionais
doenças sistêmicas
uso inadequado de produtos ou procedimentos agressivos
Quando isso acontece, é comum observar:
encurtamento da fase anágena
aumento da proporção de fios em telógeno
afinamento progressivo dos fios
queda difusa ou localizada
📌 Importante:
Na maioria dos casos, o fio não está “morrendo” — ele apenas está seguindo um ciclo alterado.
O que os cuidados capilares realmente conseguem fazer
Tratamentos capilares — especialmente os naturais e de suporte — não mudam a genética, mas podem:
melhorar o ambiente do couro cabeludo
reduzir inflamações silenciosas
apoiar a oxigenação local
favorecer condições para uma anágena mais estável
minimizar fatores que encurtam o ciclo do fio
Por isso, falar em crescimento capilar sem falar em ciclo é sempre incompleto.
Por que entender o ciclo muda a forma de cuidar do cabelo
Quando a leitora entende o ciclo do fio, ela passa a:
interpretar melhor a queda sazonal
ter expectativas mais realistas
evitar trocas constantes e impulsivas de produtos
compreender por que resultados levam tempo
valorizar o cuidado contínuo do couro cabeludo
👉 Crescimento capilar não é aceleração.
👉 É manutenção do ambiente onde o fio nasce.
Conclusão editorial
Queda e crescimento capilar não são eventos isolados, mas expressões de um ciclo biológico complexo. Antes de buscar soluções milagrosas, compreender esse ciclo é o passo mais importante para escolhas mais conscientes — e menos frustrantes.
Cuidar do cabelo começa, quase sempre, por respeitar o tempo do fio.







