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Alecrim e queda capilar: entre o uso tradicional e a evidência científica

Atualizado: 8 de jan.



O alecrim (Rosmarinus officinalis L.) atravessa séculos como planta culinária e medicinal. Nos cuidados capilares, seu uso ganhou destaque por relatos de melhora da saúde do couro cabeludo, redução de queda e maior tolerabilidade quando comparado a ativos convencionais.


Mas onde termina o uso tradicional — e onde começa a evidência científica?


Este artigo organiza o que realmente se sabe sobre o alecrim na queda capilar, com clareza e sem promessas indevidas.


Alecrim e queda capilar: entre o uso tradicional e a evidência científica

Por que o alecrim desperta interesse nos cuidados capilares


O alecrim pertence à família Lamiaceae, a mesma da hortelã e do manjericão. Seus principais compostos bioativos incluem:

  • ácido rosmarínico

  • carnosol e ácido carnósico

  • flavonoides e terpenos


Esses compostos explicam suas ações descritas na literatura:

  • antioxidante

  • anti-inflamatória

  • antimicrobiana

  • estímulo da microcirculação periférica


No couro cabeludo, esse conjunto atua no ambiente do folículo, não como agente de crescimento direto.



Uso tradicional: o que a prática popular sustenta


O alecrim é usado tradicionalmente para:

  • massagens no couro cabeludo

  • enxágues herbais

  • óleos macerados


Relatos recorrentes incluem:

  • couro cabeludo mais equilibrado

  • redução de oleosidade e caspa

  • sensação de fios mais encorpados

  • menor irritação quando comparado a tratamentos agressivos


📌 Importante: esses relatos refletem experiências individuais, não garantem resultados universais e não substituem evidência clínica.


O que a ciência realmente investigou


1️⃣ Evidência clínica em humanos (alopecia androgenética leve)


Um estudo clínico randomizado comparou óleo essencial de alecrim (diluído) ao minoxidil 2% em homens com alopecia androgenética leve a moderada, por 6 meses.


Resultados observados:

  • aumento semelhante na espessura dos fios em ambos os grupos

  • menor incidência de coceira no grupo do alecrim


📌 Leitura correta:O alecrim não foi superior ao minoxidil, mas mostrou resultado comparável em um desfecho específico, com melhor tolerabilidade cutânea.


2️⃣ Estudos experimentais (animais e mecanismos)


Pesquisas em modelos animais indicam que o alecrim pode:

  • melhorar a perfusão microcapilar

  • reduzir inflamação local

  • proteger a pele do estresse oxidativo


Esses mecanismos ajudam a explicar:

  • redução da queda associada à inflamação

  • melhora do ambiente do couro cabeludo

⚠️ Não comprovam crescimento capilar novo em humanos.


3️⃣ Atividade antimicrobiana


Estudos mostram ação antibacteriana do alecrim, o que pode ser útil quando:

  • a queda está associada a desequilíbrios do couro cabeludo

  • há caspa ou inflamação persistente

Nesse contexto, o alecrim atua como coadjuvante, não como tratamento isolado.


O que o alecrim não faz


É fundamental delimitar:

  • ❌ não cria novos folículos

  • ❌ não reverte calvície genética avançada

  • ❌ não substitui terapias médicas quando indicadas

  • ❌ não funciona para todos os tipos de queda


👉 Seu papel é auxiliar, especialmente na retenção de fios existentes e na tolerabilidade do cuidado contínuo.


Como usar alecrim no couro cabeludo (com segurança)


⚠️ Óleo essencial nunca deve ser usado puro.


Opção 1 — Óleo diluído para massagem

  • 2 a 5 gotas de óleo essencial de alecrim

  • 1 colher de sopa de óleo vegetal (coco, jojoba ou similar)

Aplicar no couro cabeludo, massagear suavemente e deixar agir por até 20 minutos. Enxaguar conforme necessidade do fio.


Opção 2 — Shampoo enriquecido

Adicionar poucas gotas ao shampoo neutro. Evitar altas concentrações.


Opção 3 — Enxágue com chá de alecrim

Uso tradicional. Menor concentração de ativos — efeito mais suave e complementar.


📌 Frequência sugerida: 1 a 2 vezes por semana.


Segurança e contraindicações

  • fazer teste de toque (24–48h)

  • evitar uso em couro cabeludo lesionado

  • gestantes e lactantes devem consultar profissional

  • interromper se houver ardor, vermelhidão ou coceira intensa


Óleos essenciais são concentrados e podem causar dermatite de contato se mal utilizados.


Conclusão


O alecrim não é um ativo de crescimento capilar, mas pode ser um aliado bem tolerado para:

  • melhorar o ambiente do couro cabeludo

  • reduzir inflamação e oleosidade

  • apoiar a retenção de fios em quadros leves

  • complementar rotinas de cuidado consciente


Seu valor está no uso contextualizado, não em promessas.

Essa leitura crítica é o que sustenta a autonomia que a Sphaira defende.


*Referências científicas*


Panahi et al., 2015 — Alecrim vs. minoxidil na alopecia androgenética

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25842469/


Murata et al., 2013 — Alecrim e microcirculação cutânea

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23566032/


Satoh et al., 2011 — Compostos antioxidantes do alecrim

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21499111/


Bozin et al., 2007 — Atividade antimicrobiana do óleo de alecrim

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17326685/


Borges et al., 2019 — Revisão das propriedades do alecrim


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