Alecrim e queda capilar: entre o uso tradicional e a evidência científica
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 6 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 8 de jan.
O alecrim (Rosmarinus officinalis L.) atravessa séculos como planta culinária e medicinal. Nos cuidados capilares, seu uso ganhou destaque por relatos de melhora da saúde do couro cabeludo, redução de queda e maior tolerabilidade quando comparado a ativos convencionais.
Mas onde termina o uso tradicional — e onde começa a evidência científica?
Este artigo organiza o que realmente se sabe sobre o alecrim na queda capilar, com clareza e sem promessas indevidas.

Por que o alecrim desperta interesse nos cuidados capilares
O alecrim pertence à família Lamiaceae, a mesma da hortelã e do manjericão. Seus principais compostos bioativos incluem:
ácido rosmarínico
carnosol e ácido carnósico
flavonoides e terpenos
Esses compostos explicam suas ações descritas na literatura:
antioxidante
anti-inflamatória
antimicrobiana
estímulo da microcirculação periférica
No couro cabeludo, esse conjunto atua no ambiente do folículo, não como agente de crescimento direto.
Uso tradicional: o que a prática popular sustenta
O alecrim é usado tradicionalmente para:
massagens no couro cabeludo
enxágues herbais
óleos macerados
Relatos recorrentes incluem:
couro cabeludo mais equilibrado
redução de oleosidade e caspa
sensação de fios mais encorpados
menor irritação quando comparado a tratamentos agressivos
📌 Importante: esses relatos refletem experiências individuais, não garantem resultados universais e não substituem evidência clínica.
O que a ciência realmente investigou
1️⃣ Evidência clínica em humanos (alopecia androgenética leve)
Um estudo clínico randomizado comparou óleo essencial de alecrim (diluído) ao minoxidil 2% em homens com alopecia androgenética leve a moderada, por 6 meses.
Resultados observados:
aumento semelhante na espessura dos fios em ambos os grupos
menor incidência de coceira no grupo do alecrim
📌 Leitura correta:O alecrim não foi superior ao minoxidil, mas mostrou resultado comparável em um desfecho específico, com melhor tolerabilidade cutânea.
2️⃣ Estudos experimentais (animais e mecanismos)
Pesquisas em modelos animais indicam que o alecrim pode:
melhorar a perfusão microcapilar
reduzir inflamação local
proteger a pele do estresse oxidativo
Esses mecanismos ajudam a explicar:
redução da queda associada à inflamação
melhora do ambiente do couro cabeludo
⚠️ Não comprovam crescimento capilar novo em humanos.
3️⃣ Atividade antimicrobiana
Estudos mostram ação antibacteriana do alecrim, o que pode ser útil quando:
a queda está associada a desequilíbrios do couro cabeludo
há caspa ou inflamação persistente
Nesse contexto, o alecrim atua como coadjuvante, não como tratamento isolado.
O que o alecrim não faz
É fundamental delimitar:
❌ não cria novos folículos
❌ não reverte calvície genética avançada
❌ não substitui terapias médicas quando indicadas
❌ não funciona para todos os tipos de queda
👉 Seu papel é auxiliar, especialmente na retenção de fios existentes e na tolerabilidade do cuidado contínuo.
Como usar alecrim no couro cabeludo (com segurança)
⚠️ Óleo essencial nunca deve ser usado puro.
Opção 1 — Óleo diluído para massagem
2 a 5 gotas de óleo essencial de alecrim
1 colher de sopa de óleo vegetal (coco, jojoba ou similar)
Aplicar no couro cabeludo, massagear suavemente e deixar agir por até 20 minutos. Enxaguar conforme necessidade do fio.
Opção 2 — Shampoo enriquecido
Adicionar poucas gotas ao shampoo neutro. Evitar altas concentrações.
Opção 3 — Enxágue com chá de alecrim
Uso tradicional. Menor concentração de ativos — efeito mais suave e complementar.
📌 Frequência sugerida: 1 a 2 vezes por semana.
Segurança e contraindicações
fazer teste de toque (24–48h)
evitar uso em couro cabeludo lesionado
gestantes e lactantes devem consultar profissional
interromper se houver ardor, vermelhidão ou coceira intensa
Óleos essenciais são concentrados e podem causar dermatite de contato se mal utilizados.
Conclusão
O alecrim não é um ativo de crescimento capilar, mas pode ser um aliado bem tolerado para:
melhorar o ambiente do couro cabeludo
reduzir inflamação e oleosidade
apoiar a retenção de fios em quadros leves
complementar rotinas de cuidado consciente
Seu valor está no uso contextualizado, não em promessas.
Essa leitura crítica é o que sustenta a autonomia que a Sphaira defende.
*Referências científicas*
Panahi et al., 2015 — Alecrim vs. minoxidil na alopecia androgenética
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25842469/
Murata et al., 2013 — Alecrim e microcirculação cutânea
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23566032/
Satoh et al., 2011 — Compostos antioxidantes do alecrim
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21499111/
Bozin et al., 2007 — Atividade antimicrobiana do óleo de alecrim
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17326685/
Borges et al., 2019 — Revisão das propriedades do alecrim







