Tônico de café funciona? Evidências científicas sobre cafeína e cabelo
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 7 de jan.
- 4 min de leitura
Atualizado: 8 de jan.
A queda de cabelo pode ter diversas origens — hormonais, metabólicas, inflamatórias ou relacionadas ao ciclo capilar — e entender essas causas é o primeiro passo antes de testar qualquer ativo tópico.
O café é conhecido por manter o corpo desperto — mas, nos últimos anos, a cafeína passou a chamar atenção também nos cuidados capilares, especialmente em tônicos para queda e afinamento do cabelo.
A pergunta central, porém, não é se o café é “bom” ou “ruim”, mas em quais contextos a cafeína realmente apresenta efeito no couro cabeludo — e o que a ciência já conseguiu demonstrar até agora.
Este artigo organiza o que é evidência, o que é uso cosmético plausível e o que ainda permanece no campo da experiência individual.
Você quiser entender melhor as principais causas da queda e do afinamento capilar
Cafeína e cabelo: qual é a base científica?

A cafeína é um composto biologicamente ativo, com capacidade de interagir com o metabolismo celular, a circulação local e alguns mecanismos hormonais.
Nos estudos capilares, o foco principal está em três frentes:
interação com o folículo piloso
influência sobre o DHT (di-hidrotestosterona)
estímulo indireto da fase anágena (fase de crescimento do fio)
1. Cafeína e alopecia androgenética
A alopecia androgenética é caracterizada pela miniaturização progressiva do folículo, fortemente associada à ação do DHT.
Estudos in vitro demonstraram que a cafeína aplicada topicamente foi capaz de:
reduzir o efeito inibitório do DHT sobre o folículo
estimular o alongamento da haste capilar
prolongar a fase anágena do ciclo capilar
Estudos in vitro demonstram que a cafeína pode atenuar os efeitos do DHT diretamente no folículo, protegendo a fase anágena.
Esses efeitos foram observados tanto em folículos masculinos quanto femininos, o que explica por que a cafeína aparece com frequência em produtos voltados para ambos os sexos.
Nos casos de queda capilar associados à ação do DHT, como ocorre na alopecia androgenética, o folículo sofre um processo gradual de miniaturização
Importante:
👉 esses resultados não equivalem a “cura da calvície”, mas indicam potencial de suporte ao folículo em contextos específicos.
2. Cafeína, circulação e nutrição do folículo
A cafeína é um estimulante conhecido. Quando aplicada no couro cabeludo, ela pode:
aumentar a microcirculação local
favorecer o aporte de oxigênio e nutrientes ao folículo
melhorar o ambiente metabólico da raiz do fio
Esse mecanismo ajuda a explicar por que a cafeína é associada a sensação de fortalecimento, redução do afinamento e melhor densidade visual — especialmente em fases de queda difusa.
Por ter efeito adstringente, o tônico de café costuma ser melhor tolerado por quem tem couro cabeludo oleoso.
Em casos de descamação ou sensibilidade, pomadas naturais para o couro cabeludo
3. Cafeína e eflúvio telógeno
O eflúvio telógeno ocorre quando muitos fios entram precocemente na fase de queda.
Embora a cafeína não trate a causa sistêmica do eflúvio (como estresse, doença ou carências nutricionais), há indícios de que ela possa:
ajudar o folículo a retomar mais rapidamente o ciclo normal
atuar como suporte tópico durante a fase de recuperação
Em quedas difusas e transitórias, como o eflúvio telógeno, o foco não é bloquear hormônios, mas apoiar o ciclo capilar.
Aqui, novamente, o efeito é adjuvante, não curativo.
Por que a cafeína precisa ser usada topicamente?
Um ponto essencial: beber café não gera o mesmo efeito capilar.
Para que a cafeína atinja concentrações capazes de influenciar o folículo por via oral, seriam necessárias doses impraticáveis e inseguras.
Estudos de absorção demonstram que:
o couro cabeludo é capaz de absorver cafeína topicamente
os folículos funcionam como vias de penetração eficientes
a aplicação direta permite ação local sem sobrecarga sistêmica
Por isso, o uso em tônicos, shampoos ou loções faz mais sentido do que o consumo oral com esse objetivo específico.
Tônico de café: o que ele é (e o que não é)
No contexto cosmético e editorial:
Tônico capilar = formato de aplicação
Não é medicamento
Não é promessa de crescimento garantido
Atua como suporte ao couro cabeludo
Um tônico de café bem formulado pode:
integrar uma rotina de cuidado
favorecer o ambiente do folículo
auxiliar em quadros de afinamento leve ou queda funcional
Ele não substitui tratamento médico quando há alopecia avançada ou causas clínicas envolvidas.
Como usar o tônico de café de forma consciente
Aplicação básica
Utilize café coado frio
Aplique com algodão ou conta-gotas diretamente no couro cabeludo
Priorize áreas de afinamento ou maior queda
Deixe agir por cerca de 20 minutos
Lave normalmente
Cuidados importantes
Cabelos claros podem manchar levemente
Evite escorrer pelo comprimento em fios secos (efeito adstringente)
Não usar em couro cabeludo inflamado, sensível ou com dermatites ativas
Sempre fazer teste de toque
Em cabelos claros, o café pode manchar os fios. Nesses casos, vale considerar outras fontes naturais de cafeína.
Então, tônico de café funciona?
A resposta honesta é: funciona como suporte, não como milagre.
A ciência sustenta que a cafeína:
pode estimular o folículo
pode modular o efeito do DHT
pode melhorar o ambiente de crescimento
Mas os resultados variam conforme:
causa da queda
regularidade de uso
saúde geral do couro cabeludo
Dentro de uma abordagem realista, o tônico de café faz sentido — desde que usado com expectativas corretas.
Referências científicas
Fischer et al., 2007 — Caffeine counteracts testosterone-induced hair follicle suppressionhttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17214716/
Fischer et al., 2014 — Human hair follicle penetration of caffeinehttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24836650/
Otberg et al., 2008 — Follicular penetration of topically applied substanceshttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18637904/
Dhurat et al., 2018 — Mechanisms of hair loss and follicular stimulationhttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30064598/
Isenção de responsabilidade: Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou dermatológica.







