top of page

Queda de cabelo raramente tem uma única causa


Como identificar a origem antes de buscar soluções


A queda de cabelo é um dos temas mais cercados por simplificações. Falta de vitamina, estresse, hormônio, genética, shampoo errado — quase sempre a explicação aparece isolada, como se houvesse um único culpado.


Mas a realidade é outra: a queda capilar raramente tem uma única causa.


Na maioria dos casos, ela surge da sobreposição de fatores — biológicos, hormonais, metabólicos, nutricionais e até comportamentais. Entender essa combinação é o que separa abordagens eficazes de tentativas frustradas.


Este artigo existe para organizar esse cenário.


Queda de cabelo não é um evento isolado

Queda de cabelo raramente tem uma única causa

É normal perder até cerca de 100 fios por dia. O cabelo passa por ciclos naturais de crescimento, transição e queda.


O problema começa quando:

  • a queda se intensifica,

  • o fio afina progressivamente,

  • a densidade diminui,

  • ou o crescimento parece estagnar.


Nesses casos, o cabelo costuma estar respondendo a algo que acontece no organismo como um todo, e não apenas no couro cabeludo.


As principais causas envolvidas na queda capilar


1. Genética e sensibilidade hormonal

A chamada alopecia androgenética não é causada apenas por hormônios, mas pela sensibilidade do folículo à ação deles, especialmente do DHT.

Isso explica por que:

  • algumas pessoas têm níveis hormonais normais e mesmo assim perdem cabelo;

  • outras, com alterações hormonais semelhantes, não apresentam queda significativa.


A genética define o terreno — mas raramente age sozinha.


2. Desequilíbrios hormonais além do DHT

Queda de cabelo também pode estar associada a:

  • alterações da tireoide,

  • resistência à insulina,

  • flutuações hormonais femininas,

  • pós-parto,

  • interrupção ou uso prolongado de contraceptivos.


Esses cenários interferem diretamente no ciclo do fio, antecipando a fase de queda ou reduzindo a fase de crescimento.


3. Inflamação e estresse metabólico

Inflamação crônica — mesmo silenciosa — pode:

  • comprometer a microcirculação do couro cabeludo,

  • gerar estresse oxidativo,

  • enfraquecer o ambiente folicular.


Dietas ricas em açúcar, ultraprocessados, álcool em excesso e privação de sono são fatores frequentes nesse contexto.


4. Deficiências nutricionais (mas não qualquer uma)

O cabelo é altamente sensível a carências de:

  • proteína,

  • ferro,

  • zinco,

  • vitaminas do complexo B,

  • vitamina D.


Porém, nem toda queda é causada por deficiência — e suplementar sem necessidade nem sempre traz benefício.Veja Quando a Biotina faz sentido


A nutrição atua como base de sustentação do fio, não como gatilho único.


5. Alterações no couro cabeludo

Dermatite seborreica, infecções fúngicas, inflamações persistentes e excesso de oleosidade podem:

  • comprometer o crescimento,

  • aumentar a quebra,

  • intensificar a queda difusa.


Nesses casos, tratar apenas o fio ignora o verdadeiro problema: o ambiente onde ele nasce.


6. Fatores físicos e mecânicos

Tração constante, químicas agressivas, calor excessivo, procedimentos repetitivos e quebra cumulativa também entram na equação.


Aqui, muitas pessoas confundem quebra com queda, o que muda completamente a estratégia de cuidado.


Por que soluções únicas costumam falhar


Quando a queda tem múltiplas causas, soluções isoladas tendem a gerar frustração.


✔️ Vitaminas não resolvem se a causa for hormonal

✔️ Ativos naturais não funcionam se houver inflamação ativa

✔️ Tratamentos tópicos têm efeito limitado se o metabolismo estiver comprometido


O erro mais comum é tratar o cabelo como um problema local, quando ele é um reflexo sistêmico.


O primeiro passo não é o tratamento — é o diagnóstico


Antes de escolher:

  • suplementos,

  • ativos naturais,

  • medicamentos,

  • ou mudanças na rotina,

é essencial responder a perguntas como:

  • a queda é difusa ou localizada?

  • há afinamento progressivo?

  • existe histórico familiar?

  • houve mudança recente no corpo ou na rotina?

  • há sinais de inflamação ou oleosidade excessiva?


Só depois disso é possível decidir o que faz sentido — e o que não faz.


Uma abordagem mais inteligente para a queda capilar


Cuidar da queda de cabelo não é buscar uma solução milagrosa, mas construir um caminho coerente:

  • entender a causa predominante,

  • corrigir fatores agravantes,

  • sustentar o crescimento,

  • preservar o fio que já existe.


Essa leitura mais madura evita excessos, economiza tempo e protege a saúde a longo prazo.


Conclusão


A queda de cabelo raramente é simples — e tratá-la como se fosse costuma gerar mais confusão do que resultados.


Quando o cabelo começa a cair, ele está comunicando algo. Aprender a interpretar esse sinal é o verdadeiro início do cuidado.


Referências científicas

Sites recomendados

bottom of page