Vitaminas para queda de cabelo: quando fazem sentido (e quando não)
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 6 de jan.
- 3 min de leitura
Tomar vitaminas virou a primeira reação de muitas mulheres diante da queda de cabelo.Biotina, zinco, ferro, complexo B, “vitaminas para cabelo” em cápsulas ou gomas — tudo parece prometer força, crescimento e fios mais cheios.
Mas aqui está um ponto essencial, e pouco dito com clareza:
👉 nem toda queda capilar está ligada à deficiência nutricional. E, nesses casos, suplementar não resolve — pode apenas mascarar o problema.
Este texto existe para cumprir um papel específico dentro do sub-hub Queda & Crescimento Capilar: ajudar você a entender quando vitaminas fazem sentido — e quando não fazem.
O cabelo precisa de nutrientes, mas não vive só disso

O fio de cabelo é formado principalmente por queratina, uma proteína.Para produzi-la, o organismo depende de:
proteínas adequadas
ferro
zinco
vitaminas do complexo B
vitaminas A, D e E
ácidos graxos
Sem esses elementos, o crescimento pode desacelerar e o fio pode ficar mais frágil.
👉 Isso é fisiologia básica.
👉 Mas isso não significa que toda queda seja causada por carência.
Quando a deficiência nutricional é, de fato, a causa
Vitaminas e minerais costumam fazer diferença real quando há:
dietas restritivas ou muito pobres em proteína
perda de peso rápida
distúrbios de absorção intestinal
anemia por deficiência de ferro
deficiência documentada de biotina, zinco ou vitamina D
alcoolismo crônico
períodos de alta demanda (pós-parto, por exemplo)
Nesses casos, o cabelo costuma responder junto com outros sinais, como:
unhas fracas
cansaço persistente
palidez
queda difusa recente (eflúvio telógeno)
➡️ Aqui, corrigir a deficiência ajuda o cabelo a voltar ao seu ciclo normal.
Quando vitaminas NÃO resolvem a queda
Suplementos costumam frustrar quando a causa principal é outra, como:
alopecia androgenética (genética e hormonal)
queda associada a resistência à insulina
alterações hormonais (anticoncepcional, menopausa)
estresse crônico e inflamação sistêmica
agressões mecânicas e químicas ao fio
Nesses quadros, a vitamina pode até melhorar a qualidade do fio que nasce, mas não bloqueia o mecanismo central da queda.
👉 É por isso que muitas mulheres tomam vitaminas “por anos”e seguem com afinamento progressivo.
Biotina: o exemplo mais comum de confusão
A biotina é fundamental para a saúde da pele, unhas e cabelos.Mas a deficiência verdadeira é rara em quem se alimenta adequadamente.
Quando ela ajuda de verdade?
em casos de deficiência clínica
em dietas muito desequilibradas
em distúrbios genéticos específicos
Quando não faz diferença relevante?
na maioria dos casos de alopecia androgenética
quando usada como “atalho” sem investigar a causa
➡️ Biotina não é acelerador universal de crescimento.
O risco de suplementar “no escuro”
Além de não resolver o problema, suplementar sem critério pode:
atrasar o diagnóstico real da queda
interferir em exames laboratoriais (caso clássico da biotina)
gerar falsa sensação de tratamento
reforçar a ideia de que “o corpo está falhando”, quando não está
Na prática, vira mais um custo emocional e financeiro.
O que faz mais sentido do que sair suplementando
Antes de escolher qualquer vitamina, vale perguntar:
minha queda é recente ou antiga?
é difusa ou localizada?
houve gatilho claro (estresse, parto, dieta)?
existe histórico familiar de afinamento?
minha alimentação sustenta proteína e gordura suficientes?
Responder a essas perguntas costuma esclarecer mais do que qualquer rótulo.
Vitaminas são suporte, não solução mágica
No cuidado capilar consciente, vitaminas entram como:
✔️ apoio quando há carência
✔️ complemento de uma estratégia maior
✔️ parte de um contexto (nutrição, hormônios, rotina, couro cabeludo)
E não como promessa isolada de crescimento.
Leitura complementar — Queda & Crescimento Capilar
Referências científicas
Patel et al., 2017 — Nutritional deficiencies and hair losshttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28596157/
Almohanna et al., 2019 — Role of vitamins and minerals in hair losshttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31165134/
Trüeb, 2016 — Serum ferritin and hair losshttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27578963/
Food and Nutrition Board, 1998 — Biotin requirementshttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9734735/







