Alimentação e Crescimento Capilar: O Que Sustenta o Fio de Verdade
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 2 de jan.
- 4 min de leitura
Atualizado: 7 de jan.
A queda de cabelo feminino raramente acontece por um único motivo. Fatores hormonais, genéticos, estresse, idade, medicamentos e fases da vida influenciam diretamente o ciclo capilar.
Mas existe um ponto frequentemente subestimado — ou tratado de forma simplista: a alimentação.
Não porque “comer certo faz o cabelo crescer rápido”, mas porque sem base nutricional adequada o organismo simplesmente não prioriza o cabelo. Quando faltam nutrientes essenciais, o corpo direciona energia para funções vitais — e o fio entra em segundo plano.
Este artigo não propõe dietas milagrosas nem listas salvadoras. Ele existe para esclarecer quais alimentos realmente sustentam o crescimento capilar e qual é o papel real da alimentação nesse processo.
Alimentação não cria cabelo — mas sustenta o crescimento possível

Deficiências nutricionais podem contribuir para:
afinamento dos fios
aumento da queda
crescimento mais lento
piora da saúde do couro cabeludo
Isso ocorre porque o cabelo é um tecido metabolicamente ativo, dependente de:
proteína suficiente
gordura adequada
minerais biodisponíveis
vitaminas envolvidas em renovação celular e oxigenação
Comer bem não garante que o cabelo não vá cair —mas comer mal aumenta significativamente o risco.
A base nutricional do cabelo: proteína e gordura animal
Para o ser humano, proteína e gordura de origem animal são fontes estruturais, não opcionais.
Elas fornecem:
aminoácidos essenciais (base da queratina)
ferro heme (alta absorção)
vitamina B12
zinco
vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K)
ácidos graxos fundamentais para produção hormonal
Quando essa base está ausente ou insuficiente, nenhum vegetal, chá ou suplemento “compensa” completamente.
A partir dessa base, alimentos vegetais entram como complemento funcional, não como substituição.
Alimentos que sustentam a saúde e o crescimento capilar
Peixes gordurosos
Peixes como salmão selvagem, sardinha, arenque e cavala fornecem:
proteína de alta qualidade
ácidos graxos ômega-3
vitamina D
selênio
Estudos observacionais e ensaios com suplementação de ômega-3 mostram associação com redução da queda e melhora da densidade capilar em algumas mulheres — especialmente quando há deficiência prévia.
👉 O efeito está ligado à redução de inflamação e ao suporte metabólico do folículo, não a estímulo direto de crescimento.
Ovos
Os ovos concentram:
proteína completa
biotina
zinco
selênio
vitaminas do complexo B
Dietas pobres em proteína estão associadas à entrada precoce do fio na fase de repouso (telógena), aumentando a queda.
⚠️ Importante: consumir apenas a clara, sem a gema, pode predispor à deficiência de biotina.
Carnes vermelhas
A carne vermelha fornece:
proteína estrutural
ferro heme (alta biodisponibilidade)
zinco
vitamina B12
A deficiência de ferro é uma das causas nutricionais mais associadas à queda de cabelo feminina.Sem ferro adequado, o transporte de oxigênio até o folículo fica comprometido.
Aqui, quantidade e frequência importam mais do que exclusão.
Frango
O frango contribui com:
proteína
L-cisteína (aminoácido essencial para queratina)
niacina (vitamina B3)
ácido araquidônico (ômega-6 estrutural)
É uma fonte importante para manutenção do fio, especialmente em dietas com menor consumo de carne vermelha.
Vegetais verde-escuros (como complemento)
Espinafre, couve e outras folhas verdes fornecem:
folato
vitamina C
betacaroteno
minerais
Eles não substituem proteína animal, mas auxiliam:
na absorção de ferro
na proteção antioxidante
na saúde do couro cabeludo
⚠️ Atenção ao consumo excessivo de folhas ricas em oxalatos em pessoas predispostas.
Batata-doce e legumes alaranjados
Fontes de betacaroteno, precursor da vitamina A.
A vitamina A:
participa da produção de sebo
influencia a renovação celular do folículo
⚠️ Tanto a deficiência quanto o excesso podem causar queda de cabelo. Aqui, o alimento é preferível à suplementação.
Beterraba e folhas de beterraba
Ricas em nitratos, que favorecem a produção de óxido nítrico, melhorando a circulação.
Isso pode contribuir para:
maior oxigenação
melhor entrega de nutrientes ao couro cabeludo
O efeito é indireto e complementar, não terapêutico.
Feijões e leguminosas (com preparo adequado)
Fornecem:
proteína vegetal
ferro
zinco
folato
Contêm antinutrientes como fitatos — por isso, devem ser demolhados antes do preparo.
São complemento nutricional, não base exclusiva.
Alimentação ajuda — mas não age sozinha
Uma alimentação biologicamente adequada:
sustenta o crescimento possível
reduz agravantes
melhora o ambiente metabólico do folículo
Mas ela não corrige:
alopecias genéticas
quedas hormonais não tratadas
danos mecânicos persistentes
estresse crônico intenso
Aqui, expectativa realista é parte do cuidado.
Crescimento capilar começa pelo básico
Antes de buscar suplementos, protocolos ou ativos isolados, a pergunta central é simples:
👉 o corpo está recebendo o que precisa para manter tecidos não vitais, como o cabelo?
Quando a base está ausente, o fio cai. Quando a base existe, o cabelo tem chance de se manter.
Essa é a lógica do cuidado capilar defendida pela Sphaira: menos promessas, mais estrutura.
Leitura complementar — Queda & Crescimento Capilar
Referências
“Deficiências de micronutrientes como vitaminas e minerais têm sido associadas à queda de cabelo em contextos clínicos.” SciELO
“Vitaminas e minerais fazem parte do metabolismo normal do folículo capilar, embora a suplementação isolada não seja solução garantida.” Springer
“Ômega-3 e outros componentes alimentares podem contribuir para um ambiente metabólico mais favorável ao crescimento capilar.” ScienceDirect
“A relação entre níveis séricos de nutrientes como vitamina D, zinco e folato e saúde capilar foi observada em algumas análises comparativas.” AnsJ







