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pH do cabelo: quando ele realmente importa — e como usar a acidificação com critério


pH do cabelo: quando ele realmente importa — e como usar a acidificação com critério

O pH do cabelo é um daqueles temas que ganharam fama rápida — e profundidade rasa. Muito se fala sobre “fechar cutículas”, “acidificar sempre”, “equilibrar o pH”, mas pouco se explica quando isso é necessário, quando é exagero e quando pode até atrapalhar.


Na Sphaira, o pH não é tratado como ritual obrigatório, mas como ferramenta pontual de leitura e ajuste do fio.


Antes de acidificar, vale entender o que está acontecendo de fato com o cabelo.


O que é pH — e por que ele interfere no fio


pH é a sigla para potencial de hidrogênio, uma escala que vai de 0 a 14 e indica o grau de acidez ou alcalinidade de uma substância:

  • 0 a 6,9 → ácido

  • 7 → neutro

  • 7,1 a 14 → alcalino


O cabelo saudável tende naturalmente a um pH levemente ácido, geralmente entre 4,5 e 5,5. Esse ambiente favorece:

  • cutículas mais alinhadas,

  • menor perda de água,

  • mais brilho,

  • menos atrito entre os fios.


Quando o pH se desloca para o lado alcalino, as cutículas se elevam — e o fio fica mais vulnerável.


Esse desequilíbrio não acontece isoladamente: ele costuma caminhar junto da perda de água, lipídios e estrutura — o mesmo equilíbrio entre hidratação, nutrição e reconstrução que sustenta a saúde do fio ao longo do tempo.


Quando a cutícula permanece aberta e o cabelo não consegue reter hidratação.


O que acontece quando o pH do cabelo se altera


A elevação do pH não é, por si só, um erro. Ela acontece intencionalmente em muitos processos:

  • colorações e descolorações,

  • alisamentos e relaxamentos,

  • shampoos de limpeza profunda,

  • exposição repetida a agentes agressivos.


O problema não é abrir a cutícula. O problema é mantê-la aberta por tempo demais, sem reorganização posterior.


Quando isso acontece, o fio passa a apresentar:

  • porosidade acentuada,

  • aspereza ao toque,

  • dificuldade em reter hidratação,

  • opacidade e frizz persistente.


É nesse cenário que o pH começa a importar de verdade.


Acidificação: o que ela faz — e o que ela não faz


A acidificação capilar não “cura” o cabelo. Ela ajuda a reorganizar temporariamente a superfície do fio, favorecendo:

  • alinhamento das cutículas,

  • melhor retenção de água e lipídios,

  • sensação de maciez e brilho.


Ela não reconstrói a fibra, não substitui tratamento proteico, e não deve ser usada como rotina fixa.


Acidificar sem necessidade pode deixar o fio:

  • rígido,

  • sem movimento,

  • com aspecto pesado ou artificialmente “selado”.


Quando a acidificação faz sentido


A acidificação é mais útil quando o cabelo:

  • passou recentemente por química,

  • está visivelmente poroso,

  • perde hidratação com facilidade,

  • apresenta aspereza mesmo após tratamento,

  • responde mal a máscaras (produto “escorre”, não fixa).


Nesses casos, ela funciona como ajuste de terreno, não como tratamento principal.


Quando ela é desnecessária — ou excessiva


Se o cabelo:

  • já está macio,

  • tem brilho natural,

  • responde bem à hidratação,

  • não apresenta porosidade evidente,

acidificar por hábito não traz ganho real — apenas repete um gesto técnico sem leitura.


Cabelo saudável não precisa ser constantemente corrigido.


Acidificação caseira: tradição com critério


O uso de vinagre de maçã é antigo e não deve ser tratado com desprezo. Ele possui pH naturalmente ácido (em torno de 4,5) e pode, sim, ajudar pontualmente.


Mas alguns cuidados são essenciais:

  • diluição adequada (nunca puro),

  • uso esporádico, não contínuo,

  • aplicação após shampoo, não antes,

  • atenção à resposta do fio, não à promessa.


Acidificação caseira não é substituto de tratamento nem deve virar manutenção semanal automática.


O que realmente mantém o pH equilibrado no dia a dia


Mais importante do que acidificar é não desorganizar o fio o tempo todo.

Isso inclui:

  • evitar limpeza agressiva constante,

  • respeitar pausas entre químicas,

  • equilibrar hidratação, nutrição e reconstrução,

  • reduzir atrito mecânico excessivo,

  • entender que nem todo cabelo precisa do mesmo ajuste.


pH equilibrado é consequência de cuidado coerente — não de correção repetitiva.


Em síntese


O pH do cabelo importa, mas não o tempo todo. A acidificação ajuda, mas não resolve tudo. E o fio saudável não nasce da repetição de protocolos, e sim da leitura atenta do que ele pede — e do que ele já não precisa.


Cuidado consciente não corrige por medo. Ajusta por compreensão.


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