Fibras não diminuem o risco de câncer no intestino, diz estudo
- Lu P. Barbosa

- 8 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de dez. de 2025
Fibras não diminuem o risco de câncer de intestino — e o que isso realmente significa
Por décadas, repetimos quase como um mantra: “coma mais fibras para proteger o intestino e reduzir o risco de câncer”. A recomendação fazia sentido — e nasceu na década de 1970, quando pesquisas observaram que populações africanas, com dietas naturais e ricas em fibras, apresentavam taxas muito mais baixas de câncer colorretal.
A teoria parecia perfeita: fibras aumentariam o trânsito intestinal, diminuindo o contato da mucosa com substâncias potencialmente nocivas. Mas a ciência, quando colocada à prova em estudos longos e abrangentes, trouxe uma resposta bem menos romântica.
Um estudo longo e abrangente acompanhou quase 90 mil mulheres por 16 anos, foram registrados centenas de casos de câncer colorretal e mais de mil pólipos, que são lesões precursoras da doença.
Fibras e o e colorretal, o que se sabe?

O que grandes estudos descobriram
Um dos acompanhamentos epidemiológicos mais robustos — com quase 90 mil mulheres monitoradas por 16 anos — trouxe resultados surpreendentes:
centenas de casos de câncer colorretal foram analisados;
mais de mil pólipos (lesões precursoras) foram registrados;
e nenhuma associação real foi encontrada entre maior ingestão de fibras e proteção contra a doença.
Mulheres que consumiam cerca de 25 g de fibras por dia apresentaram praticamente o mesmo risco que aquelas que ingeriam quantidades menores.
Ou seja:fibras não exerceram o efeito protetor que, por décadas, acreditamos existir.
Nem todas as fibras se comportam da mesma forma
Outro ponto curioso:
A fibra vinda de vegetais apresentou até um discreto aumento de risco — ainda que pequeno.
A fibra vinda de frutas mostrou uma tendência leve de benefício — porém sem relevância estatística.
E o mais importante:o aumento do consumo de fibras não reduziu a formação de pólipos, reforçando que o impacto direto sobre o início da doença é mínimo ou inexistente.
Estudos posteriores confirmaram a mesma lógica — inclusive em mulheres com dietas estáveis ao longo dos anos ou em casos mais avançados.
Então, qual é o papel real das fibras?
Fibras continuam sendo ótimas para o organismo, especialmente dentro de dietas com maior carga de carboidratos, ajudando em:
controle glicêmico,
funcionamento intestinal,
sensação de saciedade.
Mas quando falamos especificamente de prevenção de câncer colorretal, o estudo é claro:
O consumo de fibras não diminui o risco.
A ciência avança, e com ela nossas percepções também precisam evoluir.
Conclusão Sphaira
O valor da boa informação está exatamente nisso: não em dogmas eternos, mas em compreender o que a ciência atual realmente mostra.
As fibras têm seu papel — mas não como blindagem contra o câncer. E essa nuance é essencial para escolhas alimentares mais conscientes, maduras e livres de mitos.
Fonte do estudo original: PubMed (PMID: 16352792)
Isenção de responsabilidade
Este artigo tem caráter informativo e educacional. Não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento médico.







