Extratos capilares: quando usar tinturas e extratos glicerinados no couro cabeludo
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 7 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 8 de jan.
Nem todo tratamento capilar precisa ser oleoso. Tinturas e extratos glicerinados são formas tradicionais — e tecnicamente interessantes — de aplicar ativos vegetais diretamente no couro cabeludo, especialmente quando há oleosidade, sensibilidade ou necessidade de uso contínuo.
A queda e o crescimento capilar são processos multifatoriais, que envolvem couro cabeludo, ciclo do fio e fatores internos, que, também, dependem de um couro cabeludo saudável.
Dentro dessa lógica, entender quando usar extratos e tinturas capilares ajuda a escolher abordagens mais leves, absorvíveis e coerentes com a saúde do couro cabeludo.
O que são tinturas e extratos glicerinados?

Extratos capilares são preparações líquidas concentradas obtidas a partir de plantas medicinais, com o objetivo de extrair e preservar seus compostos bioativos.
Existem duas formas principais de uso tópico no couro cabeludo:
▸ Tintura alcoólica
Utiliza álcool como solvente, o que favorece a extração de alcaloides, flavonoides e compostos fenólicos.
Características:
alta penetração cutânea
ação mais intensa
pode ressecar ou irritar couros cabeludos sensíveis
▸ Extrato glicerinado
Utiliza glicerina vegetal + água como solvente.
Características:
melhor tolerância
hidratação leve
ideal para uso frequente ou prolongado
👉 Importante: nenhuma dessas formas substitui tratamentos médicos quando há alopecia diagnosticada. Elas atuam como suporte funcional ao couro cabeludo.
Quando extratos fazem mais sentido do que óleos
Extratos capilares são especialmente úteis quando:
o couro cabeludo é oleoso ou acneico
há sensibilidade, coceira ou dermatite leve
a pessoa não tolera umectações
o objetivo é uso diário ou entre lavagens
busca-se absorção rápida, sem resíduos
Eles também são uma alternativa interessante para quem já usa óleos nos fios, mas precisa tratar o couro cabeludo de forma mais leve, assim como os tônicos capilares à base de ervas.
Plantas tradicionalmente usadas em extratos capilares
Abaixo, ervas com uso histórico documentado e estudos experimentais preliminares relacionados ao ciclo capilar ( como funciona o ciclo de crescimento do cabelo) :
▸ Thuja orientalis (Tuia oriental)
Usada na medicina tradicional asiática para calvície.
Estudos experimentais indicam estímulo da fase anágena (crescimento) em folículos em repouso.
▸ Loeselia mexicana (Espinosilla)
Planta tradicional mexicana.
Ensaios em modelos animais observaram aumento de crescimento de pelos.⚠️ Pouco disponível no Brasil — uso mais teórico no contexto nacional.
▸ Lycium chinense (Goji berry – folhas ou raiz)
Planta da medicina chinesa, rica em zinco e polifenóis.
Associada ao suporte do couro cabeludo e controle de oleosidade, fatores indiretos da queda.
▸ Polygonum multiflorum (He Shou Wu)
Clássico da medicina chinesa.
Contém compostos estudados por sua ação moduladora sobre a enzima 5-α-redutase, envolvida na alopecia androgenética.
⚠️ Uso oral exige cautela; aqui falamos exclusivamente do uso tópico.
Leitura sugerida: Alecrim e saúde do couro cabeludo
Como preparar extratos capilares em casa (uso consciente)
Tintura alcoólica (uso pontual)
Ingredientes
200 g de erva seca
1 litro de álcool etílico ou vodka (~38%)
Modo de preparo
Coloque a erva em vidro esterilizado
Cubra totalmente com o álcool
Deixe macerar por 21 dias, agitando diariamente
Coe e armazene em vidro escuro, identificado
⚠️ Sempre usar diluída.
Extrato glicerinado (uso frequente)
Ingredientes
200 g de erva seca
800 ml de glicerina vegetal
20 ml de água filtrada
Modo de preparo
Misture glicerina e água
Cubra as ervas no recipiente
Macere por 21 dias, longe do sol
Coe e armazene corretamente
Como usar no couro cabeludo
Dilua 1 colher de chá do extrato em 2 xícaras de água
Aplique com as mãos limpas ou algodão
Massageie suavemente
Pode permanecer até a próxima lavagem
📌 Não aplicar puro.
📌 Não usar sobre pele lesionada.
Segurança e cuidados importantes
Faça sempre teste de toque (24h)
Suspenda em caso de ardor, coceira ou vermelhidão
Couros cabeludos inflamados exigem avaliação profissional
Gestantes devem evitar extratos alcoólicos
O que a ciência realmente afirma
A maior parte das evidências sobre extratos capilares vem de:
estudos in vitro
modelos animais
uso tradicional documentado
Isso significa que os extratos:
podem apoiar o ambiente do couro cabeludo
não substituem terapias médicas
funcionam melhor como estratégia complementar
Conclusão editorial
Extratos capilares não são atalhos para crescimento milagroso.Eles fazem sentido quando usados com critério, respeitando o couro cabeludo e integrados a uma rotina coerente.
Em muitos casos, cuidar do ambiente onde o fio nasce é mais importante do que insistir apenas no comprimento.
Leitura complementar
Referências científicas (resumidas)
Park et al., 2011 — Thuja orientalis e ciclo capilarhttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21781969/
Rho et al., 2005 — Polygonum multiflorum e 5-α-redutasehttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16081258/
Kim et al., 2014 — Fitoterápicos e crescimento capilarhttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24661702/







