Ervas no cuidado capilar: uso tradicional, evidência científica e limites reais
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 7 de jan.
- 3 min de leitura
A queda e o crescimento capilar são processos multifatoriais. Envolvem genética, ciclo do fio, fatores hormonais, estado nutricional e — de forma decisiva — a saúde do couro cabeludo.
Dentro desse contexto, o uso de ervas no cuidado capilar não surge como solução milagrosa, mas como estratégia complementar, baseada em tradição milenar e em evidências experimentais iniciais.
Este artigo apresenta ervas tradicionalmente utilizadas para apoiar o couro cabeludo e o ciclo do fio, explicando o que a ciência realmente indica, como usá-las com consciência e quais são seus limites reais.
O papel das ervas no cuidado capilar

Ervas medicinais vêm sendo usadas há séculos em sistemas tradicionais — especialmente na medicina ayurvédica e chinesa — para apoiar a vitalidade dos cabelos.
Do ponto de vista científico atual, essas plantas são estudadas principalmente por sua capacidade de:
apoiar a microcirculação do couro cabeludo
reduzir inflamação local
modular estresse oxidativo
influenciar indiretamente o ciclo do fio
⚠️ Importante: a maior parte das evidências disponíveis vem de estudos in vitro, modelos animais ou uso tradicional documentado. Isso significa que seu papel é suporte funcional, não tratamento médico de alopecias diagnosticadas.
Ervas tradicionalmente associadas ao crescimento e à redução da queda
▸ Hibisco chinês (Hibiscus rosa-sinensis)
Planta amplamente usada em infusões capilares na Ásia.
Estudos experimentais sugerem que extratos de hibisco podem:
estimular folículos capilares
aumentar o tempo de permanência na fase anágena (crescimento)
Seu uso está associado principalmente à manutenção da vitalidade do couro cabeludo.
▸ Brahmi (Bacopa monnieri)
Erva clássica da medicina ayurvédica.
Contém alcaloides e saponinas que, em estudos experimentais, mostraram:
ativação de proteínas envolvidas no crescimento do fio
suporte ao metabolismo celular local
Tradicionalmente associada a cabelos mais densos e resistentes.
▸ Tridax (Tridax procumbens)
Planta usada em tônicos herbais indianos.
Estudos em modelos animais indicam:
estímulo do crescimento capilar
ação antioxidante
potencial sinergia com outras ervas
É considerada uma erva de suporte, não de ação isolada.
▸ Jatamansi (Nardostachys jatamansi)
Rizoma aromático utilizado na medicina tradicional.
Pesquisas experimentais indicaram:
estímulo ao crescimento capilar em alopecia induzida por quimioterapia
possível ação calmante e reguladora do couro cabeludo
Uso tópico é o mais seguro dentro do contexto cosmético.
▸ Ginseng (Panax ginseng)
Planta adaptógena amplamente estudada.
Contém ginsenosídeos associados a:
modulação inflamatória
possível inibição indireta da 5α-redutase
melhora da microcirculação
Seu efeito capilar está ligado ao ambiente do couro cabeludo, não à criação direta de novos fios.
Como essas ervas são utilizadas topicamente
As ervas podem ser aplicadas ao couro cabeludo por diferentes veículos, sendo os mais comuns:
▸ Óleos capilares (oleatos)
ervas maceradas em óleo vegetal
indicados para couros cabeludos secos ou sensibilizados
não recomendados para couro cabeludo oleoso
▸ Extratos e tinturas
base alcoólica ou glicerinada
melhor absorção
ideais para uso frequente ou entre lavagens
📌 A escolha do veículo é tão importante quanto a erva em si.
Como preparar um óleo capilar de ervas (uso consciente)
Ingredientes
erva seca ou em pó (uma ou mais)
óleo vegetal carreador (coco, jojoba, azeite, amêndoas)
Modo de preparo
Coloque a erva em vidro esterilizado
Cubra completamente com o óleo
Feche e mantenha em local escuro por 3 a 4 semanas
Coe e armazene corretamente
Uso
pré-shampoo (20–40 minutos)
umectação noturna (quando indicado)
⚠️ Não indicado para couro cabeludo oleoso ou com dermatite ativa.
Segurança e cuidados essenciais
sempre realizar teste de toque (24h)
suspender em caso de coceira, ardor ou vermelhidão
não usar sobre pele lesionada
gestantes devem evitar uso sem orientação profissional
Produtos naturais também podem causar reações adversas.
O que a ciência realmente afirma
Até o momento, as evidências indicam que ervas:
podem apoiar o ambiente do couro cabeludo
não substituem tratamentos médicos
funcionam melhor como parte de uma rotina coerente
Crescimento capilar sustentável depende mais da qualidade do ambiente onde o fio nasce do que de estímulos isolados.
Conclusão editorial
O uso de ervas no cuidado capilar não deve ser encarado como promessa de crescimento acelerado, mas como estratégia complementar e consciente.
Quando bem escolhidas e corretamente aplicadas, elas podem contribuir para um couro cabeludo mais equilibrado — e isso, por si só, já é um passo fundamental para preservar o ciclo natural do fio.
Referências científicas (resumidas)
Adhirajan et al., 2003 — Tridax procumbens e crescimento capilarhttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12678904/
Rathi et al., 2008 — Jatamansi e alopecia induzidahttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18651994/
Park et al., 2011 — Ginseng e ciclo capilarhttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21499111/
Roy et al., 2007 — Hibisco e folículo pilosohttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17951008/







