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Dieta Carnívora: Risco Real ou Exagero? O Que a Ciência Diz Sobre Colesterol

Sphaira Guia — Uma análise criteriosa sobre riscos potenciais, impacto cardiovascular e o que realmente sabemos até agora.


Tiras de toucinho grelhado

A dieta carnívora desperta curiosidade — mas também preocupação.


Ela faz mal ao coração?

O colesterol sobe inevitavelmente?

Pode causar deficiência nutricional?


Essas são perguntas legítimas. E precisam ser respondidas com equilíbrio, não com alarmismo — nem com negação automática.


Neste guia, analisamos os principais pontos de controvérsia e o que a literatura científica indica até o momento.

Se você ainda não leu, veja também nosso guia completo sobre a dieta carnívora e seus fundamentos metabólicos.

Por que existe tanta controvérsia?


A principal preocupação em torno da dieta carnívora envolve:

  • Consumo elevado de gordura saturada

  • Aumento potencial do LDL

  • Ausência de alimentos vegetais

  • Falta de estudos de longo prazo


Durante décadas, a hipótese lipídica — que associa gordura saturada ao risco cardiovascular — orientou diretrizes nutricionais em diversos países.


No entanto, revisões científicas mais recentes mostram que o cenário é mais complexo do que a simples relação “gordura saturada = doença cardíaca”.


Hoje sabemos que risco cardiovascular envolve múltiplos fatores:

  • Resistência à insulina

  • Inflamação sistêmica

  • Perfil completo de lipoproteínas

  • Triglicerídeos

  • HDL

  • Tamanho e número de partículas LDL


Ou seja, o contexto metabólico importa.



O colesterol realmente sobe na dieta carnívora?


A resposta curta é: depende do indivíduo.


Relatos clínicos mostram três padrões comuns:

  1. Pessoas que apresentam aumento de LDL.

  2. Pessoas que mantêm LDL estável.

  3. Pessoas que melhoram triglicerídeos e HDL de forma significativa.


Em dietas low carb e cetogênicas — que compartilham mecanismos com a carnívora — estudos demonstram:

  • Redução consistente de triglicerídeos

  • Aumento de HDL

  • Melhora na relação triglicerídeos/HDL


Esses mecanismos são observados em abordagens como a dieta low carb e cetogênica, cujos benefícios metabólicos já foram amplamente estudados.


Por outro lado, há indivíduos chamados “hiper-respondedores”, que apresentam elevação acentuada de LDL.


O significado clínico desse aumento ainda é tema de debate científico, especialmente quando ocorre junto com melhora de outros marcadores metabólicos.



E quanto ao risco cardiovascular?


Não existem estudos de longo prazo especificamente sobre dieta carnívora.

Esse é um ponto importante.


Grande parte das evidências disponíveis vem de estudos com dietas cetogênicas ou low carb.


Algumas meta-análises sugerem que dietas com menor carga glicêmica podem melhorar fatores de risco metabólico. Porém, a literatura ainda é inconclusiva quanto ao impacto cardiovascular a longo prazo em dietas extremamente restritivas.


Portanto, afirmar que é “segura para todos” ou “perigosa para todos” é uma simplificação excessiva.



A ausência de vegetais pode causar deficiência?


Outra crítica comum é a possível deficiência de:

  • Vitamina C

  • Fibras

  • Fitonutrientes


Defensores da dieta argumentam que:

  • Vísceras são densas em micronutrientes.

  • A necessidade de vitamina C pode diminuir em contextos de baixo carboidrato.


No entanto, não há consenso científico sólido sobre adequação nutricional de longo prazo em dietas exclusivamente animais.


Monitoramento clínico é recomendado.



O papel das fibras e da microbiota


Tradicionalmente, fibras são associadas à saúde intestinal.


Entretanto, há indivíduos com distúrbios gastrointestinais que relatam melhora ao reduzir fibras fermentáveis.


Isso indica que a resposta intestinal é individual.


Ainda assim, a exclusão completa de fibras como recomendação universal não encontra respaldo forte na literatura atual.



Para quem exige cautela?


A dieta carnívora pode exigir maior acompanhamento em casos como:

  • Histórico familiar de doença cardiovascular precoce

  • Hipercolesterolemia genética

  • Gestação

  • Transtornos alimentares

  • Doenças crônicas sem acompanhamento profissional


Individualização é essencial.



O que raramente é discutido


Um ponto pouco explorado é que risco cardiovascular não depende apenas de colesterol total.


Inflamação, resistência à insulina e síndrome metabólica são fatores centrais.


Alguns indivíduos com obesidade metabólica podem apresentar melhora significativa nesses marcadores ao reduzir carboidratos.


Isso não significa que a dieta seja universalmente indicada — mas indica que o contexto metabólico deve ser considerado.



Afinal, a dieta carnívora é perigosa?


Até o momento, não há evidência robusta de que seja intrinsecamente perigosa para todos — nem evidência suficiente para afirmar que seja segura para todos.


O que sabemos:

  • Pode melhorar marcadores metabólicos em determinados perfis.

  • Pode elevar LDL em alguns indivíduos.

  • Não possui estudos de longo prazo consolidados.


A resposta mais honesta é: depende do perfil metabólico, do acompanhamento e da individualização.



Conclusão Sphaira


Entre alarmismos e defesas apaixonadas, talvez o caminho mais responsável seja reconhecer que a nutrição não é binária.


A dieta carnívora é uma abordagem restritiva, com mecanismos metabólicos plausíveis e controvérsias legítimas.


Ignorá-la pode ser simplista. Adotá-la sem critério também.

Como sempre, maturidade e monitoramento são essenciais.


Para quem deseja entender como a abordagem funciona no dia a dia, veja também nosso guia Dieta Carnívora na Prática, onde detalhamos estrutura alimentar, adaptação e pontos de atenção.




📚 Referências Científicas


Santos FL et al., 2012. Systematic review and meta-analysis of clinical trials of the effects of low carbohydrate diets on cardiovascular risk factors. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22735432/

Mansoor N et al., 2016. Effects of low-carbohydrate diets on weight and cardiovascular risk factors: a meta-analysis. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26768850/

Bueno NB et al., 2013. Very-low-carbohydrate ketogenic diet vs low-fat diet for long-term weight loss: meta-analysis. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23651522/

Astrup A et al., 2020. Saturated fats and cardiovascular disease: reconsideration of the evidence. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32562735/

Hooper L et al., 2020. Reduction in saturated fat intake for cardiovascular disease. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32827219/

Volek JS et al., 2009. Comparison of low-fat and low-carbohydrate diets on lipoprotein subclasses. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19439458/

Paoli A et al., 2013. Ketogenic diet and cardiovascular health: evidence and mechanisms. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23852511/

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