Bloqueadores Naturais de DHT: O Que Eles Podem (e Não Podem) Fazer na Alopecia Androgenética
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 2 de jan.
- 3 min de leitura
A alopecia androgenética — tanto masculina quanto feminina — está relacionada à ação do hormônio di-hidrotestosterona (DHT) sobre os folículos capilares geneticamente sensíveis.
Diante disso, é comum surgir a ideia de que “bloquear o DHT” por meio de alimentos naturais seria uma forma simples de combater a queda de cabelo.A realidade, porém, é mais complexa.
Este artigo existe para esclarecer qual é o papel real de alguns alimentos associados à modulação do DHT, quais evidências existem — e quais limites precisam ser respeitados.
O que é DHT e qual sua relação com a queda de cabelo?

O DHT é um hormônio derivado da testosterona.No organismo, parte da testosterona é convertida em DHT por uma enzima chamada 5-alfa-redutase.
Em pessoas com predisposição genética, o DHT:
reduz progressivamente o tamanho do folículo
encurta a fase de crescimento do fio
leva ao afinamento e à miniaturização capilar
Importante:👉 o problema não é o DHT em si, mas a sensibilidade do folículo a ele.
Alimentos podem “bloquear” o DHT?
Alguns compostos naturais demonstram, em estudos experimentais, capacidade de modular a atividade da enzima 5-alfa-redutase ou de reduzir processos inflamatórios associados.
Isso não equivale ao efeito de medicamentos como finasterida ou dutasterida.
Na prática:
alimentos não bloqueiam completamente o DHT
não substituem tratamento médico
podem atuar como apoio metabólico, não como solução isolada
Alimentos associados à modulação do DHT (com ressalvas)
Cúrcuma (curcumina)
A curcumina, principal composto ativo da cúrcuma, apresenta propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.
Estudos experimentais indicam que ela pode:
interferir na atividade da 5-alfa-redutase
reduzir inflamação local
Esses dados vêm majoritariamente de modelos celulares e animais.Não há evidência clínica robusta de que o consumo alimentar isolado reverta alopecia androgenética.
Chá-verde (EGCG)
O chá-verde contém catequinas, especialmente a epigalocatequina galato (EGCG).
Estudos laboratoriais sugerem que o EGCG pode:
proteger células do folículo contra efeitos do DHT
reduzir estresse oxidativo
Alguns estudos tópicos são pequenos e experimentais. O consumo excessivo de extratos concentrados não é isento de riscos, incluindo sobrecarga hepática em certos casos.
Cebola e alimentos ricos em quercetina
A quercetina é um flavonoide com ação antioxidante.
Em estudos experimentais, mostrou:
potencial inibição parcial da 5-alfa-redutase
redução do estresse oxidativo
Os dados disponíveis não sustentam efeito clínico direto sobre crescimento capilar quando consumida apenas na alimentação.
Sementes de abóbora
As sementes e o óleo de semente de abóbora contêm:
fitosteróis (como o beta-sitosterol)
zinco
antioxidantes
Um estudo clínico pequeno observou aumento de densidade capilar em homens suplementados com óleo de semente de abóbora.
Ainda assim:
o suplemento continha outros ativos
os resultados não são generalizáveis
não se trata de bloqueio completo de DHT
Edamame e soja (isoflavonas)
Isoflavonas da soja têm estrutura semelhante ao estrogênio e podem:
modular enzimas envolvidas no metabolismo hormonal
Alguns estudos mostram redução modesta de DHT em homens após consumo de proteína de soja.
Esses efeitos:
são leves
dependem de dose e contexto
não equivalem a tratamento
O consumo moderado é considerado seguro para a maioria das pessoas.
Óleo de coco
O óleo de coco é rico em ácido láurico.
Estudos em animais e laboratório sugerem possível interferência na conversão de testosterona em DHT. No entanto:
faltam estudos clínicos em humanos
o consumo excessivo tem impacto calórico e metabólico
Aqui, o uso deve ser moderado e contextualizado.
O que é importante entender sobre “bloqueadores naturais”
Nenhum alimento bloqueia DHT de forma significativa como um fármaco
A ação observada é moduladora, indireta e limitada
O impacto no cabelo é pequeno e variável
A base genética da alopecia androgenética não é revertida por dieta
Alimentos não substituem diagnóstico nem tratamento.
Onde esses alimentos realmente ajudam
Eles podem contribuir para:
redução de inflamação sistêmica
melhora do ambiente metabólico do folículo
suporte nutricional geral
Isso é diferente de:
“tratar alopecia”
“reverter calvície”
“bloquear DHT de forma eficaz”
DHT não é o vilão isolado
Reduzir a alopecia androgenética a um único hormônio é simplificar demais um processo complexo.
Cabelo responde a:
genética
hormônios
inflamação
nutrição
tempo biológico
Compreender os limites evita frustração e escolhas equivocadas.
Essa é a abordagem defendida pela Sphaira.







