Chá-verde para cabelo oleoso: benefícios reais, usos seguros e limites do ativo
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 3 de jan.
- 5 min de leitura
Atualizado: 6 de jan.
O chá-verde é amplamente reconhecido como uma bebida antioxidante, mas seu uso vai além do consumo interno. Nos cuidados capilares, ele aparece com frequência em fórmulas voltadas ao controle da oleosidade, ao equilíbrio do couro cabeludo e ao suporte da saúde dos fios — especialmente em rotinas que buscam leveza e limpeza sem agressão.
Com o aumento do interesse por ativos de origem vegetal, muitas marcas passaram a incluir extrato de chá-verde em shampoos, loções e tônicos. Mas até que ponto esse ingrediente realmente beneficia o cabelo? E onde termina o uso funcional — e começam os exageros?
É isso que vamos esclarecer.
O que é o chá-verde?

O chá-verde é obtido das folhas da Camellia sinensis. A diferença entre os tipos de chá (verde, preto, branco ou oolong) está no processamento das folhas após a colheita.
No caso do chá-verde, as folhas passam por mínima oxidação, o que preserva uma alta concentração de compostos antioxidantes. Um exemplo conhecido é o matcha, produzido a partir de folhas cultivadas à sombra antes da colheita — técnica que aumenta ainda mais o teor desses compostos.
Entre os principais antioxidantes do chá-verde estão os flavonoides, especialmente as catequinas, com destaque para a EGCG (epigalocatequina galato), frequentemente estudada em pesquisas dermatológicas e cosméticas.
Por que o chá-verde aparece em produtos para cabelo oleoso?
Do ponto de vista cosmético, o interesse no chá-verde está menos ligado a “crescimento” e mais a três funções importantes:
ação antioxidante
efeito adstringente suave
suporte ao equilíbrio do couro cabeludo
Essas características explicam sua presença em fórmulas destinadas a raiz oleosa, couro cabeludo sensível ou fios que perdem leveza com facilidade.
Uso popular e experiência prática
No uso popular, o chá-verde é frequentemente aplicado como:
enxágue após a lavagem
compressa no couro cabeludo
ingrediente caseiro para reduzir oleosidade excessiva
Relatos comuns associam o uso do chá-verde a uma sensação de couro cabeludo mais limpo, menos oleoso ao longo do dia e fios com aparência mais solta.
Esse efeito ocorre principalmente porque o chá-verde tem leve ação adstringente, ajudando a reduzir o excesso de sebo — especialmente na raiz.
Por isso, ele costuma ser melhor tolerado por quem tem couro cabeludo oleoso ou misto, e menos indicado para fios muito secos ao longo do comprimento.
O que a ciência realmente afirma sobre o chá-verde e o cabelo
Estudos laboratoriais e experimentais mostram que compostos do chá-verde, como a EGCG, têm potencial antioxidante e anti-inflamatório, o que pode contribuir para um ambiente mais equilibrado no couro cabeludo.
Algumas pesquisas experimentais em modelos animais observaram menor queda de fios quando o extrato foi aplicado topicamente. No entanto, esses resultados não permitem afirmar crescimento capilar direto em humanos, nem substituem tratamentos clínicos quando há queda patológica.
Em estudos com suplementação oral, os efeitos observados costumam estar associados a melhora da circulação cutânea, hidratação da pele e suporte metabólico geral — fatores que podem influenciar indiretamente a saúde do couro cabeludo, mas não garantem crescimento de novos fios.
Ou seja:
✔ o chá-verde pode apoiar a saúde do couro cabeludo
Como usar o chá-verde nos cuidados com o cabelo
1. Produtos cosméticos prontos
A forma mais segura e estável de uso é por meio de shampoos e tônicos que contenham extrato de chá-verde, desenvolvidos para aplicação regular.
Nesses casos, o ativo costuma aparecer em concentrações controladas, associadas a outros ingredientes calmantes ou equilibrantes.
2. Enxágue caseiro (uso pontual)
Uma forma tradicional de uso consiste em:
infusionar 2 a 3 sachês de chá-verde em água quente
deixar esfriar completamente
aplicar apenas no couro cabeludo após o shampoo
Esse método deve ser pontual, não diário.
⚠️ Importante: em fios com pontas secas ou porosas, evite levar o chá ao comprimento, pois o efeito adstringente pode aumentar a sensação de ressecamento.
3. Consumo da bebida
O consumo moderado de chá-verde como bebida contribui para a ingestão de antioxidantes, o que pode favorecer a saúde da pele como um todo — incluindo o couro cabeludo — mas não atua como tratamento direto para o cabelo.
Atenção à toxicidade: um alerta importante
Apesar de seguro como bebida, o chá-verde merece cautela quando aparece em suplementos concentrados.
Altas doses de EGCG, especialmente em cápsulas ou extratos isolados, já foram associadas a efeitos adversos como toxicidade hepática e desconfortos gastrointestinais.
Revisões recentes indicam que os limites seguros de ingestão de EGCG são aproximadamente:
até 704 mg/dia provenientes de chá
até 338 mg/dia provenientes de suplementos
Por isso, suplementos com doses elevadas de extrato de chá-verde não devem ser usados sem orientação profissional.
Em resumo
O chá-verde é um ativo funcional para cabelos com raiz oleosa, com papel claro no equilíbrio do couro cabeludo e no controle do excesso de oleosidade.
Ele não é um ativo de crescimento capilar, mas pode contribuir para um ambiente mais saudável — o que, indiretamente, favorece a manutenção dos fios.
Usado com critério, ele faz sentido. Prometido como solução milagrosa, perde credibilidade.
Referências
Cabrera C, Artacho R, Giménez R.Beneficial effects of green tea—A review.Journal of the American College of Nutrition, 2006.
Koch W, et al.Health benefits and chemical composition of matcha green tea.Molecules, 2020.
Kwon OS et al.Human hair growth enhancement in vitro by green tea epigallocatechin-3-gallate (EGCG).Phytomedicine, 2007.
Choi BY.Hair-growth potential of epigallocatechin-3-gallate in animal models.Annals of Dermatology, 2018.
European Food Safety Authority (EFSA).Safety of green tea catechins.EFSA Journal, 2018.
Nota editorial Sphaira: Os estudos citados analisam efeitos antioxidantes, metabólicos e cutâneos do chá-verde. Resultados experimentais não equivalem a promessa de crescimento capilar em humanos, especialmente fora de contextos clínicos controlados.
🔹 Sugestão de linkagem editorial interna (5–7 links)
Pensando em profundidade de navegação e autoridade temática, eu sugiro:
Links obrigatórios (diretos)
Cabelo oleoso: como equilibrar o couro cabeludo sem ressecar os fios→ contexto principal do problema resolvido
Produtos & Ativos para cabelo: como entender a função de cada ingrediente→ reforça o sub-hub técnico
Shampoo para cabelo oleoso: o que observar na fórmula→ conversão prática do ativo em produto
Links complementares (apoio editorial)
Argila verde para cabelo: quando faz sentido usar→ comparação com outro ativo adstringente
Couro cabeludo sensível: sinais de desequilíbrio e cuidados→ amplia o uso além da oleosidade pura
Queda de cabelo: quando o problema não está no fio→ ajuda a não confundir suporte capilar com tratamento de queda
Rotina capilar minimalista: menos produto, mais resultado→ conversa com o perfil de leitora Sphaira
Obs.: se algum desses textos ainda não existir, eles são pautas naturais que este artigo ajuda a justificar.







