Queda de cabelo raramente tem uma única causa
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 6 de jan.
- 3 min de leitura
Como identificar a origem antes de buscar soluções
A queda de cabelo é um dos temas mais cercados por simplificações. Falta de vitamina, estresse, hormônio, genética, shampoo errado — quase sempre a explicação aparece isolada, como se houvesse um único culpado.
Mas a realidade é outra: a queda capilar raramente tem uma única causa.
Na maioria dos casos, ela surge da sobreposição de fatores — biológicos, hormonais, metabólicos, nutricionais e até comportamentais. Entender essa combinação é o que separa abordagens eficazes de tentativas frustradas.
Este artigo existe para organizar esse cenário.
Queda de cabelo não é um evento isolado

É normal perder até cerca de 100 fios por dia. O cabelo passa por ciclos naturais de crescimento, transição e queda.
O problema começa quando:
a queda se intensifica,
o fio afina progressivamente,
a densidade diminui,
ou o crescimento parece estagnar.
Nesses casos, o cabelo costuma estar respondendo a algo que acontece no organismo como um todo, e não apenas no couro cabeludo.
As principais causas envolvidas na queda capilar
1. Genética e sensibilidade hormonal
A chamada alopecia androgenética não é causada apenas por hormônios, mas pela sensibilidade do folículo à ação deles, especialmente do DHT.
Isso explica por que:
algumas pessoas têm níveis hormonais normais e mesmo assim perdem cabelo;
outras, com alterações hormonais semelhantes, não apresentam queda significativa.
A genética define o terreno — mas raramente age sozinha.
2. Desequilíbrios hormonais além do DHT
Queda de cabelo também pode estar associada a:
alterações da tireoide,
resistência à insulina,
flutuações hormonais femininas,
pós-parto,
interrupção ou uso prolongado de contraceptivos.
Esses cenários interferem diretamente no ciclo do fio, antecipando a fase de queda ou reduzindo a fase de crescimento.
3. Inflamação e estresse metabólico
Inflamação crônica — mesmo silenciosa — pode:
comprometer a microcirculação do couro cabeludo,
gerar estresse oxidativo,
enfraquecer o ambiente folicular.
Dietas ricas em açúcar, ultraprocessados, álcool em excesso e privação de sono são fatores frequentes nesse contexto.
4. Deficiências nutricionais (mas não qualquer uma)
O cabelo é altamente sensível a carências de:
proteína,
ferro,
zinco,
vitaminas do complexo B,
vitamina D.
Porém, nem toda queda é causada por deficiência — e suplementar sem necessidade nem sempre traz benefício.Veja Quando a Biotina faz sentido
A nutrição atua como base de sustentação do fio, não como gatilho único.
5. Alterações no couro cabeludo
Dermatite seborreica, infecções fúngicas, inflamações persistentes e excesso de oleosidade podem:
comprometer o crescimento,
aumentar a quebra,
intensificar a queda difusa.
Nesses casos, tratar apenas o fio ignora o verdadeiro problema: o ambiente onde ele nasce.
6. Fatores físicos e mecânicos
Tração constante, químicas agressivas, calor excessivo, procedimentos repetitivos e quebra cumulativa também entram na equação.
Aqui, muitas pessoas confundem quebra com queda, o que muda completamente a estratégia de cuidado.
Por que soluções únicas costumam falhar
Quando a queda tem múltiplas causas, soluções isoladas tendem a gerar frustração.
✔️ Vitaminas não resolvem se a causa for hormonal
✔️ Ativos naturais não funcionam se houver inflamação ativa
✔️ Tratamentos tópicos têm efeito limitado se o metabolismo estiver comprometido
O erro mais comum é tratar o cabelo como um problema local, quando ele é um reflexo sistêmico.
O primeiro passo não é o tratamento — é o diagnóstico
Antes de escolher:
suplementos,
ativos naturais,
medicamentos,
ou mudanças na rotina,
é essencial responder a perguntas como:
a queda é difusa ou localizada?
há afinamento progressivo?
existe histórico familiar?
houve mudança recente no corpo ou na rotina?
há sinais de inflamação ou oleosidade excessiva?
Só depois disso é possível decidir o que faz sentido — e o que não faz.
Uma abordagem mais inteligente para a queda capilar
Cuidar da queda de cabelo não é buscar uma solução milagrosa, mas construir um caminho coerente:
entender a causa predominante,
corrigir fatores agravantes,
sustentar o crescimento,
preservar o fio que já existe.
Essa leitura mais madura evita excessos, economiza tempo e protege a saúde a longo prazo.
Conclusão
A queda de cabelo raramente é simples — e tratá-la como se fosse costuma gerar mais confusão do que resultados.
Quando o cabelo começa a cair, ele está comunicando algo. Aprender a interpretar esse sinal é o verdadeiro início do cuidado.
Referências científicas
Trüeb, 2015 — Molecular mechanisms of androgenetic alopeciahttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26072087/
Almohanna et al., 2019 — The role of nutrition in hair losshttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30619588/
Sinclair, 2015 — Diffuse hair loss: its triggers and managementhttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25842469/
Choi et al., 2018 — Inflammation and hair follicle cyclinghttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29637907/
Stenn & Paus, 2001 — Controls of hair follicle cyclinghttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11104638/







