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Glicina pode ajudar a proteger os olhos contra a catarata?



A relação entre alimentação e saúde ocular vem sendo cada vez mais explorada pela ciência. Entre os nutrientes estudados, a glicina — um aminoácido simples, produzido pelo próprio organismo e presente na alimentação — tem despertado interesse por seu potencial papel na proteção do cristalino, especialmente em processos associados à catarata.


Mais do que uma abordagem isolada, esse tema reforça uma ideia central da


Alimentação Saudável: nutrientes não agem sozinhos, mas como parte de um equilíbrio metabólico que influencia o envelhecimento celular e a resposta do organismo ao estresse oxidativo.


O que é a catarata e por que ela se forma

Glicina pode ajudar a proteger os olhos contra a catarata?

A catarata é a principal causa de cegueira evitável no mundo. Ela ocorre quando o cristalino — a lente natural do olho — perde sua transparência, dificultando a passagem da luz e comprometendo a visão.


Um dos mecanismos associados a esse processo é o acúmulo de estresse oxidativo dentro das células do cristalino. Em condições normais, o ferro presente nessas células permanece armazenado de forma segura em uma proteína chamada ferritina. Quando esse sistema se desequilibra, o ferro livre aumenta, favorecendo reações oxidativas que danificam as estruturas do cristalino.


Estudos também indicam que a exposição à luz ultravioleta pode intensificar esse desequilíbrio, acelerando os danos celulares ao longo do tempo.


Como a glicina entra nesse processo


Pesquisas recentes, conduzidas em modelos celulares humanos e em animais, observaram que a glicina pode contribuir para a proteção do cristalino por diferentes vias:

  • Redução do ferro livre dentro das células

  • Preservação da ferritina, mantendo o ferro em forma estável

  • Diminuição do estresse oxidativo

  • Ativação de defesas antioxidantes internas


Um dos achados mais interessantes é que a glicina atua sobre um sensor presente nos lisossomos, estruturas responsáveis pela reciclagem celular. Esse sensor reconhece a glicina e reduz a degradação excessiva da ferritina, ajudando a manter o equilíbrio do ferro intracelular.


Como resultado, as células do cristalino tendem a preservar melhor sua organização e transparência, o que pode retardar processos associados à formação da catarata.


Importante destacar: trata-se de um potencial protetor, não de um tratamento ou prevenção isolada.


Fontes alimentares de glicina


Na alimentação, a glicina está mais concentrada em alimentos ricos em colágeno e tecido conjuntivo, especialmente de origem animal. Entre as principais fontes estão:

  • Caldos de ossos

  • Cartilagens

  • Pele de frango

  • Couro de porco

  • Miúdos

  • Cortes de carne com osso ou menos refinados


Esses alimentos fazem parte de padrões alimentares tradicionais, nos quais o aproveitamento integral dos alimentos era comum — algo que dialoga diretamente com uma abordagem de alimentação mais natural e menos processada.


A glicina também está disponível na forma de suplemento, em pó ou cápsulas, embora a base alimentar continue sendo o caminho mais consistente dentro de uma lógica de saúde a longo prazo.


Outros benefícios estudados da glicina


Além da possível contribuição para a saúde ocular, estudos clínicos e experimentais associam a glicina a outros efeitos positivos no organismo, como:

  • Melhora da qualidade do sono

  • Redução da fadiga

  • Apoio à função cognitiva

  • Melhora da sensibilidade à insulina

  • Redução do estresse oxidativo sistêmico

  • Potencial apoio à saúde cardiovascular e ao equilíbrio imunológico


Esses efeitos reforçam o papel da glicina como um aminoácido funcional, envolvido em múltiplos processos metabólicos.


Uma leitura integrada sobre saúde e alimentação


O interesse científico pela glicina reforça algo cada vez mais evidente: a saúde não depende de soluções isoladas, mas de padrões alimentares que respeitam a fisiologia humana.


Dietas baseadas em alimentos naturais, com menor grau de processamento e maior diversidade nutricional, tendem a oferecer os substratos necessários para que o corpo mantenha seus próprios mecanismos de proteção — inclusive ao longo do envelhecimento.


A glicina, nesse contexto, não é uma promessa milagrosa, mas parte de um sistema maior de equilíbrio metabólico, no qual alimentação, estilo de vida e exposição ambiental caminham juntos.


Referência científica: Estudo disponível em: PubMed – ID 38042221



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