Óleo de rícino (mamona) no cabelo: retenção de comprimento, selagem e cuidados com o couro cabeludo
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 7 de jan.
- 3 min de leitura
O óleo de rícino — também conhecido como óleo de mamona — é um dos ativos naturais mais citados quando o assunto é cabelo mais forte, encorpado e resistente à quebra.
Ele aparece em receitas caseiras, cronogramas capilares e rotinas de umectação.
Mas junto com a popularidade, surgiu também um equívoco comum: a ideia de que o óleo de rícino faz o cabelo crescer mais rápido.
Este artigo existe para colocar ordem nesse tema — separando uso tradicional, benefícios reais e limites científicos, para que você possa decidir com
consciência.
O que é o óleo de rícino e por que ele é usado no cabelo

O óleo de rícino é um óleo vegetal extraído das sementes da planta Ricinus communis.Sua composição é rica em ácido ricinoleico, um ácido graxo monoinsaturado com propriedades:
emolientes
oclusivas
anti-inflamatórias
antimicrobianas
Historicamente, o óleo foi utilizado tanto para fins medicinais quanto cosméticos — inclusive no cuidado da pele e do couro cabeludo.
No cabelo, ele se destaca por criar uma camada lipídica protetora ao redor do fio.
Óleo de rícino não faz o cabelo crescer? Entenda o equívoco comum
Não existem evidências científicas robustas de que o óleo de rícino:
ative folículos pilosos
prolongue a fase anágena
estimule crescimento folicular direto
Ou seja: ele não age no ciclo biológico do crescimento capilar.
Então por que tantas pessoas relatam que o cabelo “cresceu”?
Porque, na prática, o que acontece é outra coisa, explicada pela diferença entre crescimento capilar e redução da quebra
Retenção de comprimento: quando o cabelo “cresce” porque para de quebrar
Cabelo cresce continuamente na raiz.
O que impede o comprimento de aparecer, na maioria dos casos, é a quebra no comprimento.
O óleo de rícino atua exatamente aqui:
reduz atrito entre os fios
melhora a flexibilidade da fibra
diminui ressecamento extremo
protege contra agressões mecânicas
Quando o fio quebra menos, o comprimento se mantém. E isso cria a percepção real de crescimento.
Esse é o verdadeiro papel do óleo de rícino no cabelo, retenção de comprimento e redução da quebra capilar.
Benefícios reais do óleo de rícino para o fio
Quando bem utilizado, o óleo de rícino pode contribuir para:
fios mais maleáveis
redução de pontas duplas
menor quebra em cabelos longos
proteção da camada lipídica natural
melhora da textura em cabelos ressecados ou quimicamente tratados
Ele funciona especialmente bem como:
selante final de umectação
complemento de máscaras nutritivas
proteção pré-lavagem (pré-shampoo)
Óleo de rícino e couro cabeludo: hidratação, inflamação e limites
No couro cabeludo, o óleo de rícino pode:
ajudar na hidratação de peles muito secas
contribuir para redução de microinflamações
atuar como coadjuvante em quadros de ressecamento
Mas é importante reforçar:
ele não trata alopecia
não bloqueia DHT
não substitui tratamentos específicos
Em couro cabeludo oleoso ou sensível, seu uso pode ser inadequado.
Como usar óleo de rícino no cabelo (com segurança)
O óleo de rícino é espesso e de absorção lenta.Por isso, a diluição é fundamental.
Proporção recomendada:
1 parte de óleo de rícino + 1 parte de óleo vegetal mais leve(ex.: coco, oliva ou amêndoas)
Formas de uso mais seguras:
umectação apenas no comprimento
pré-shampoo em cabelos secos
misturado a máscaras nutritivas
Evite aplicar diretamente no couro cabeludo sem teste prévio.
Quando evitar o óleo de rícino
Evite o uso se você tem:
couro cabeludo oleoso
tendência à dermatite ou foliculite
histórico de alergia a óleos vegetais
⚠️ Gestantes devem evitar o uso, pois o óleo de rícino pode estimular contrações uterinas quando absorvido.
Sempre faça teste de toque antes do uso regular.
Para quem o óleo de rícino faz sentido — e para quem não faz
O óleo de rícino faz sentido para quem busca:
reduzir quebra
proteger fios longos
melhorar textura de cabelos secos
aumentar retenção de comprimento
Ele não é indicado como solução para:
queda capilar de origem hormonal
afinamento progressivo
crescimento folicular lento
Quando bem compreendido, ele deixa de ser promessa e passa a ser ferramenta.
Essa é a diferença entre testar tudo — e escolher melhor.
Leitura complementar
Referências científicas
Rele & Mohile, 2003 — Óleos vegetais e redução da perda proteica do cabelo
Vieira et al., 2018 — Óleos vegetais e integridade da fibra capilar
Mutlu et al., 2016 — Propriedades anti-inflamatórias do ácido ricinoleico
Draelos, 2010 — Óleos cosméticos: oclusão, emoliência e barreira cutânea







