A ordem faz bem! Como organizar os pensamentos
- Lu P. Barbosa

- 6 de jul. de 2024
- 5 min de leitura
Atualizado: 24 de dez. de 2025
Pensar com clareza é um ato de responsabilidade pessoal.
Uma pessoa que pensa com clareza é uma pessoa mais tranquila, com maior controle sobre suas atitudes e, consequentemente, capaz de fazer escolhas mais conscientes. Afinal, nossas ações são sempre antecedidas pelos nossos pensamentos.
Ter algum domínio sobre aquilo que pensamos é indispensável para orientar nossas atitudes.
Antes da vida moderna, o ritmo cotidiano era mais lento. As pessoas costumavam sentar nas praças ou na beira da calçada, apenas observando a vida passar — “pensando na vida”, como se dizia. Sem saber, praticavam aquilo que hoje os especialistas chamam de ócio criativo. Um hábito cada vez mais raro.
Hoje, os dias passam rápido demais, e muitas vezes nem nos damos conta. Vivemos como verdadeiras máquinas em uma linha de produção contínua.
Quando não paramos para refletir sobre as experiências diárias — aquilo que tradicionalmente se chama de exame de consciência — deixamos de reavaliar o que aconteceu: nossas ações, reações, o que poderia ter sido feito de outra forma. Sem esse espaço, não há aprendizado, nem mesmo arrependimento consciente.
E há algo fundamental nisso tudo: todos nós precisamos reconhecer nossos erros, corrigi-los e estar abertos às mudanças.
Sem esse processo, a história da nossa própria vida vai se tornando cada vez mais emaranhada dentro da cabeça.Quanto mais claros, desembaraçados e fluidos forem os pensamentos, mais assertivas tendem a ser nossas decisões e ações.
Pensar com clareza antes de agir reduz significativamente a chance de erros.
O impacto da desordem mental

Veja como isso pode ser trágico: a falta de organização interna não gera apenas confusão mental, mas influencia diretamente nossas atitudes, levando a decisões superficiais, tomadas sem considerar suas possíveis consequências.
Frequentemente, o resultado de uma vida vivida de forma confusa — justamente por falta desse processo contínuo de contemplação e reflexão — é a atitude impensada e altamente comprometedora.
Quantos casos de pessoas divorciadas e arrependidas já ouvimos? Gente que, olhando para trás, percebe que tomou decisões sem refletir com profundidade.
Quantas mulheres, por exemplo, enfrentam discussões em seus relacionamentos e, em vez de pensar sobre o que aconteceu, simplesmente seguem a vida mergulhadas nas redes sociais, em compras online ou em outras distrações, abafando sentimentos em vez de encarar a situação?
Não se perguntam quais são, de fato, os sentimentos envolvidos, quais mudanças são necessárias, o que está por trás daquele conflito.
Fingir que nada aconteceu, sem enfrentamento, só piora o quadro. A confusão se acumula, a vida fica mais embolada, e os sentimentos permanecem incompreendidos.
E o indivíduo que não está sob a razão e vive apenas baseado em emoções e sentimentos vive em uma montanha-russa; é a lógica ordenadora que coloca o indivíduo no eixo — um processo diretamente ligado à maturidade emocional — tornando-o mais consciente e apto a ler a própria circunstância.
Não é surpresa, portanto, o número crescente de pessoas ansiosas e sofrendo em nosso tempo.
A ordem se reflete tanto na saúde emocional quanto na física. Pensamentos organizados têm um poder surpreendente — muitas vezes comparável ao de uma boa terapia.
Como organizar os pensamentos
A clareza dos próprios pensamentos é indispensável. Essa não é uma descoberta recente: inúmeros experimentos psicológicos já demonstraram isso.
1. Contemplação e reflexão
Refletir com profundidade não é algo natural nem comum, especialmente nos dias atuais, em meio a um turbilhão constante de estímulos que afogam nossos raciocínios mais complexos.
Comece reduzindo o uso das redes sociais. Estabeleça limites, use temporizadores. Crie uma rotina de “fechar a porta”: um momento a sós com você mesma, nem que sejam cinco minutos por dia.
Agradeça a Deus pela vida e faça uma retrospectiva dos acontecimentos do dia.
2. Escrever é uma terapia
Na década de 1980, o professor de Psicologia James Pennebaker conduziu um experimento marcante. Grupos de pessoas foram convidados a escrever, por quatro dias consecutivos, sobre os maiores traumas de suas vidas — experiências como abuso sexual, violência doméstica e outros eventos profundamente dolorosos.
Durante 15 minutos por dia, essas pessoas escreviam de forma livre, colocando no papel tudo o que viesse à mente.
O resultado foi surpreendente: nos seis meses seguintes, os participantes que escreveram sobre seus traumas procuraram menos ajuda nos centros de apoio estudantil — cerca de metade da taxa daqueles que escreveram apenas sobre assuntos neutros. Era como se suas feridas emocionais se fechassem mais rapidamente.
Pennebaker abriu caminho para o uso da escrita expressiva como ferramenta terapêutica.O simples fato de parar, enfrentar o assunto com concentração e escolher palavras para traduzir ideias ajuda a organizar a mente e promove cura.
Por isso, a velha — e mais atual do que nunca — dica de manter um diário pode ser extremamente benéfica.
3. Falar e conversar profundamente
Para nós, mulheres, verbalizar o que sentimos é essencial — mas, na verdade, todos precisamos de conversas profundas.
Quem já fez terapia sabe: muitas vezes o terapeuta fala pouco. É você quem fala — e, ao falar, percebe: “Agora eu entendi”. Esse é o poder da palavra.
No grego, a palavra logos significa tanto “palavra” quanto “razão” e “inteligência”.
A própria linguagem tem um poder ordenador.
O hábito de contemplar honestamente a si mesma e o mundo ao redor, refletir sobre isso e verbalizar o que foi compreendido nos torna, naturalmente, mais ordenadas.
Tenha alguém de confiança e mais experiente com quem você possa se abrir.Como escreveu C.S. Lewis em Os Quatro Amores:
“A amizade é desnecessária — como a filosofia, como a arte, como o próprio universo (pois Deus não precisava criar). Ela não tem valor de sobrevivência; ela é, antes, uma das coisas que dão valor à sobrevivência.”
4. Organize seu quarto
O psicólogo canadense Jordan Peterson, em seu livro 12 Regras para a Vida, enfatiza o valor de um ambiente organizado como um primeiro passo em direção à organização interna.
Comece pelo seu quarto.
5. A disciplina
A disciplina é pouco valorizada em nossa era digital, repleta de recompensas imediatas. Ainda assim, ela é extremamente enriquecedora para a mente.
Disciplina é o controle das nossas faculdades e da nossa conduta para manter a direção rumo a uma meta.
Dependendo da estrutura do nosso córtex pré-frontal, o autocontrole pode parecer mais fácil ou mais difícil. Mas, independentemente disso, é uma habilidade que pode ser fortalecida com decisões conscientes e saudáveis.
Para desenvolver disciplina, comece estabelecendo rotinas e seguindo-as.
Atividades que estimulam o cérebro também ajudam: leitura de bons livros, exercícios físicos, sono adequado e uma alimentação saudável.
O resultado
Ordenar os pensamentos com frequência é indispensável. Esse hábito treina o cérebro para a clareza e a linearidade do raciocínio, o que naturalmente conduz a decisões e escolhas melhores.
Finalizo com a frase da professora Lara Brenner, que inspira este artigo:
“A palavra é ordenadora, e a ordem nos faz bem.”







