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Coca-Cola no cabelo: moda curiosa, efeito real — e os limites que quase ninguém comenta

Coca-Cola no cabelo: moda curiosa, efeito real — e os limites que quase ninguém comenta



Em 2015, a modelo e atriz Suki Waterhouse fez uma confissão que soou estranha e irresistível ao mesmo tempo. Ao ser questionada sobre como conseguia suas ondas levemente despenteadas — aquele visual de cabelo vivido, com textura e movimento — ela respondeu que enxaguava os fios com Coca-Cola.


“Eu não gosto do meu cabelo quando ele é lavado — ele fica fino e sem vida — mas a Coca-Cola o deixa mais bagunçado, como se eu tivesse passado pela Amazônia”, disse à Us Weekly.


A frase viralizou. A prática também. E, como toda moda que parece simples demais, voltou a circular anos depois.


Mas afinal: isso funciona mesmo?

E, se funciona, vale a pena?


O que acontece quando se aplica Coca-Cola no cabelo


Do ponto de vista químico, o efeito não é totalmente imaginário.


A Coca-Cola possui pH em torno de 2,5, bastante ácido. Essa acidez provoca um fechamento temporário da cutícula capilar — o que reduz frizz e faz o fio parecer mais alinhado e brilhante no curto prazo.


Além disso, a bebida contém açúcares (xarope de milho), que se depositam sobre o fio, aumentando a sensação de corpo e rigidez leve. O resultado visual lembra o de um spray texturizador: mais volume, mais atrito entre os fios, menos “cabelo escorrido”.


Há ainda outros componentes — como ácido fosfórico, cafeína, aromatizantes e corantes — que contribuem para esse efeito de encorpamento superficial.


Ou seja, sim, a Coca-Cola altera a textura do cabelo. Mas isso não significa que ela trate, cuide, ou seja, neutra para o fio.


O efeito é cosmético — não tratamento


É importante separar as coisas.


A Coca-Cola não limpa o couro cabeludo. Ela não contém surfactantes, portanto não remove oleosidade, resíduos ou impurezas, apesar de algumas pessoas acreditarem nisso.


O que ela faz é depositar substâncias sobre o fio e o couro cabeludo. Com o uso repetido, esses resíduos podem:

  • aumentar oleosidade,

  • causar coceira,

  • favorecer descamação,

  • dificultar a respiração adequada do couro cabeludo,

  • e, em alguns casos, agravar queda ou afinamento dos fios.


Em cabelos claros, loiros ou iluminados, há ainda o risco de manchas causadas por corantes e oxidação.


Por que tanta gente gosta do resultado, então?


Porque o desejo por trás dessa prática é legítimo.


Muitas mulheres não querem um cabelo excessivamente macio, leve ou “perfeito demais”. Querem textura, presença, um fio que sustente ondas, que pareça vivido — não recém-escovado.


A Coca-Cola entrega isso rapidamente, mas de forma improvisada.


O que buscar quando a intenção é textura — não improviso


Do ponto de vista cosmético, o mesmo efeito pode ser obtido de forma muito mais previsível e segura.


Produtos como:

  • sprays texturizadores,

  • leave-ins com polímeros leves,

  • finalizadores com pH levemente ácido,

  • produtos com agentes formadores de filme cosmético,

são formulados exatamente para criar:

  • atrito controlado entre os fios,

  • sensação de densidade,

  • definição sem alisamento excessivo,

  • e manutenção do equilíbrio do couro cabeludo.


A diferença fundamental é que esses produtos não dependem de açúcar, corantes ou resíduos alimentares para funcionar. Eles formam uma película cosmética funcional, pensada para aderir ao fio e ser removida adequadamente na lavagem seguinte.


Quando a leitora entende isso, a escolha muda: não se trata de repetir um truque viral, mas de identificar qual efeito estético deseja — e usar o meio adequado para alcançá-lo.


Vale a pena usar Coca-Cola no cabelo?


Como prática frequente, não.


Como curiosidade pontual, por diversão ou experimentação isolada, não chega a ser catastrófico — desde que o cabelo seja bem lavado depois e que não se trate de fios claros, sensibilizados ou com histórico de química intensa.


Mas, do ponto de vista de cuidado consciente, não é uma solução inteligente nem sustentável.


Cuidado não é improviso repetido


A Coca-Cola no cabelo é um bom exemplo de como resultado visual imediato não equivale a cuidado capilar.

Na Sphaira, a pergunta nunca é apenas “funciona ou não funciona?”, mas:


Funciona para quê?

Por quanto tempo?

E a que custo para o fio e para o couro cabeludo?


Textura, volume e personalidade no cabelo são desejos legítimos. O que muda é escolher ferramentas que respeitem o fio — em vez de improvisos que só funcionam por um instante.

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