Chás e ervas tradicionais para queda capilar: o que a ciência observa até agora
- Luh Ribeiro- Jornalista

- 7 de jan
- 3 min de leitura
O uso de ervas em forma de chás e infusões para cuidar do couro cabeludo é uma prática antiga em diferentes sistemas tradicionais de saúde, especialmente na medicina asiática e ayurvédica.
Nos últimos anos, algumas dessas plantas passaram a ser investigadas em estudos experimentais por seu potencial de atuação no ciclo do folículo capilar, especialmente em contextos de queda associada a inflamação, estresse oxidativo ou atividade hormonal.
As infusões têm uma vantagem prática: não contêm óleos, são mais leves, facilmente absorvidas e costumam ser bem toleradas por couros cabeludos oleosos ou sensíveis.
Quando o couro cabeludo está ressecado, pomadas herbais podem ser mais indicadas do que infusões
Importante: os estudos citados são, em sua maioria, pré-clínicos (modelos animais ou celulares). Os resultados indicam potencial biológico, não substituem tratamentos médicos nem garantem efeitos individuais.
4 ervas estudadas para queda e crescimento capilar

1. Cuscuta reflexa (Cuscuta gigante)
Planta tradicionalmente utilizada na medicina indiana e chinesa.
O que a ciência observou:
Estudos experimentais indicaram que extratos da Cuscuta reflexa podem inibir a atividade da enzima 5α-redutase, envolvida na conversão da testosterona em DHT — um dos mecanismos associados à alopecia androgenética.
Potencial observado:
– Modulação hormonal local– Redução da miniaturização folicular em modelos experimentais
2. Citrullus colocynthis (maçã amarga)
Planta do deserto utilizada tradicionalmente em preparações fitoterápicas.
O que a ciência observou:
A polpa seca contém glicosídeos bioativos que, em estudos pré-clínicos, demonstraram atividade estimulante sobre o ciclo folicular, favorecendo a fase de crescimento (anágena).
Potencial observado:
– Estímulo experimental ao crescimento do fio– Atividade metabólica no folículo
3. Eclipta alba (falsa-margarida / erva-de-botão)
Uma das plantas mais estudadas dentro da fitoterapia capilar ayurvédica.
O que a ciência observou:
Em modelos animais, o extrato de Eclipta alba foi associado a:– ativação dos folículos– encurtamento da fase telógena– aumento da densidade folicular
Potencial observado:
– Estímulo ao ciclo anágeno– Suporte ao crescimento experimental de novos fios
4. Nyctanthes arbor-tristis (jasmim de floração noturna)
Arbusto nativo do sul da Ásia, com uso tradicional dermatológico.
O que a ciência observou:
Pesquisas experimentais mostraram que extratos da planta foram capazes de estimular o crescimento capilar em modelos animais, com possível ação anti-inflamatória associada.
Potencial observado:
– Estímulo experimental ao crescimento– Ação moduladora do couro cabeludo
Como usar infusões no couro cabeludo
Sugestão de preparo:
300 ml de água quente
1 colher de sopa da erva seca
Infusão por 5 minutos
Após esfriar:
aplicar diretamente no couro cabeludo limpo
massagear suavemente
não é necessário enxaguar
usar até a próxima lavagem
Prepare sempre o chá no momento do uso. Infusões armazenadas oxidam e perdem compostos ativos.
Uso tradicional x evidência científica
O uso dessas ervas é amplamente aceito em sistemas tradicionais e muitas pessoas relatam benefícios individuais.No entanto, os estudos disponíveis ainda são experimentais e não permitem afirmar eficácia clínica universal.
Essas infusões devem ser vistas como:
suporte complementar
cuidado do couro cabeludo
não substituição de tratamentos médicos para alopecia estabelecida
Segurança e cuidados
Faça teste de sensibilidade antes do uso
Evite uso em couro cabeludo lesionado ou inflamado
Suspenda se houver ardor, coceira ou vermelhidão
Gestantes e lactantes devem consultar profissional de saúde
Referências científicas
Datta et al., 2008 — Hair growth activity of Cuscuta reflexa extracts
Roy et al., 2009 — Hair growth promoting activity of Eclipta alba
Roy et al., 2010 — Eclipta alba induces anagen phase in hair follicles (animal study)



