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Amaranto: vale a pena incluir esse grão na alimentação? O que a ciência realmente mostra

Colher de madeira sobre grãos de amaranto , em close-up de textura uniforme.

Durante muitos anos, o amaranto foi apresentado como um "superalimento". Rico em proteínas, fibras, minerais e naturalmente livre de glúten, passou a aparecer em listas de alimentos considerados indispensáveis para uma alimentação saudável.


Mas a ciência da nutrição evoluiu. Hoje sabemos que dificilmente um único alimento é capaz de transformar a qualidade da dieta por si só.


Isso não significa que o amaranto tenha perdido valor nutricional. Significa apenas que aprendemos a analisá-lo de forma mais ampla, considerando não apenas os nutrientes presentes na tabela nutricional, mas também fatores como biodisponibilidade, contexto alimentar, necessidades individuais e qualidade das evidências disponíveis.


A pergunta, portanto, deixou de ser "o amaranto faz bem?" para se tornar outra, muito mais útil:


Em quais situações o amaranto pode ser uma boa escolha alimentar?

É essa resposta que a ciência permite construir hoje.



O que é o amaranto?


O amaranto é uma planta cultivada há milhares de anos nas Américas e teve papel importante na alimentação de civilizações como Maias, Astecas e Incas.


Embora seja frequentemente chamado de grão, tecnicamente ele pertence ao grupo dos pseudocereais, assim como a quinoa e o trigo-sarraceno. Isso significa que não pertence à família botânica dos cereais tradicionais, como trigo, arroz, milho ou aveia, mas pode ser utilizado de forma semelhante na culinária.


Seu sabor é suave, levemente amendoado, e permite o uso em preparações doces e salgadas.


Além da versatilidade, tornou-se conhecido por apresentar boa quantidade de proteínas, fibras, vitaminas e minerais, além de não conter glúten naturalmente.



Existe mesmo um "superalimento"?


A cada poucos anos surge um novo alimento cercado de promessas. Já foi a quinoa, a chia, o açaí, a cúrcuma, as sementes de linhaça e tantos outros.


Embora muitos desses alimentos tenham qualidades nutricionais reais, "superalimento" não é um termo científico. Trata-se de uma expressão criada pelo marketing para destacar determinados alimentos, muitas vezes sem considerar o contexto em que são consumidos.


Na prática, nenhum alimento isolado fornece todos os nutrientes de que o organismo precisa nem é capaz de compensar uma alimentação desequilibrada.


O valor de um alimento depende da dieta como um todo, das necessidades individuais, do estilo de vida e até da forma de preparo.


Por isso, em vez de perguntar qual é o "melhor alimento", faz mais sentido compreender qual papel cada alimento pode desempenhar dentro de uma alimentação variada e nutricionalmente adequada.


O amaranto é um bom exemplo dessa mudança de perspectiva.



O que torna o amaranto nutricionalmente interessante?


Entre os pseudocereais, o amaranto chama atenção por reunir características pouco comuns em um único alimento.


Além de fornecer carboidratos complexos e fibras, apresenta maior teor de proteínas do que muitos cereais tradicionais e concentra minerais importantes para diversas funções do organismo.


Uma porção de aproximadamente 246 g de amaranto cozido fornece, em média:

  • 251 kcal;

  • 46 g de carboidratos;

  • 9,3 g de proteínas;

  • 5,2 g de fibras;

  • manganês;

  • magnésio;

  • fósforo;

  • ferro;

  • zinco;

  • cobre;

  • folato.



Outro aspecto frequentemente destacado é a qualidade de sua proteína. Revisões científicas mostram que o amaranto apresenta um perfil de aminoácidos mais equilibrado do que a maioria dos cereais, especialmente pelo maior teor de lisina, um aminoácido normalmente encontrado em menores quantidades nesse grupo de alimentos.


Isso não significa, porém, que sua proteína seja equivalente à das carnes, ovos ou laticínios, cuja digestibilidade e biodisponibilidade continuam sendo superiores.


Ainda assim, para pessoas que seguem padrões alimentares predominantemente vegetais, essa característica torna o amaranto uma fonte interessante de proteína complementar.



O que as evidências realmente mostram?


Diversos estudos investigaram possíveis benefícios do amaranto para a saúde.

Entretanto, nem todas as conclusões apresentam o mesmo nível de evidência.


Alguns efeitos contam com dados observacionais e estudos clínicos iniciais, enquanto outros ainda se baseiam principalmente em pesquisas realizadas em animais ou em laboratório.


Por isso, vale separar aquilo que está melhor estabelecido daquilo que ainda permanece em investigação.



Evidências mais consistentes


As evidências mais sólidas relacionadas ao amaranto dizem respeito ao seu valor nutricional.


O alimento fornece fibras alimentares, minerais como magnésio, fósforo e manganês e proteínas de boa qualidade para um alimento de origem vegetal.


Além disso, é naturalmente livre de glúten, tornando-se uma alternativa para pessoas com doença celíaca ou outras condições que exigem restrição ao glúten.



Evidências promissoras


Pesquisas também investigam possíveis efeitos sobre marcadores inflamatórios, perfil lipídico e atividade antioxidante.


Alguns estudos observaram melhora em determinados marcadores relacionados ao colesterol e redução de substâncias associadas ao estresse oxidativo. No entanto, boa parte desses resultados ainda provém de estudos experimentais ou modelos animais.


Isso não significa que esses efeitos não existam, mas que ainda não há evidências clínicas suficientes para afirmar que o consumo de amaranto, isoladamente, previna doenças cardiovasculares, reduza inflamação crônica ou produza benefícios metabólicos significativos na população em geral.


A interpretação mais prudente é considerar esses resultados como promissores, mas ainda dependentes de pesquisas em humanos com maior qualidade metodológica.


Continue aprendendo

O amaranto é apenas um entre diversos alimentos de origem vegetal estudados pela ciência. Para compreender melhor como avaliar alimentos além dos rótulos e das promessas de marketing, estes artigos complementam esta leitura:


Referências científicas

Este artigo foi elaborado com base em revisões científicas, estudos clínicos e bases de dados reconhecidas na área de nutrição. Sempre que possível, foram priorizadas revisões sistemáticas e pesquisas em humanos. Quando mencionados resultados provenientes de estudos experimentais ou em animais, essa limitação foi indicada ao longo do texto.


Principais referências consultadas:

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